Herbário Póetico

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domingo, agosto 01, 2010

UMBANDA





A Umbanda importou a terminologia Orixá dos cultos de origem africana, cultuando alguns e descartando outros.
Começa aqui uma grande confusão para leigos e também para os praticantes de Umbanda.
A princípio, admite as mesmas características arquetípicas dos deuses ancestrais africanos, mas modifica a conceituação da essência dos mesmos, o que não agrada muito os estudiosos dos Candomblés puros.
Os Orixás na Umbanda assumem a forma de emanações, irradiações ou divisões de uma única força divina criadora.
Partindo dessa premissa como fundamental, várias ramificações surgiram com o objetivo de criar uma Teologia consistente que servisse como guia para os umbandistas. Cada vez que uma dessas teologias aprofunda seus conceitos, gera crítica e dissidência entre teóricos da religião.

Entenda-se teóricos da religião, os autores que a anos dedicam-se ao estudo e sistematização pedagógica na religião, e não intelectuais que frequentam meia dúzia de terreiros durante um curto período e criam suas mesmices tendenciosas
em forma de teses com erudição acadêmica e ignorância Umbandista. Mas as referências a essas teses, com todo o respeito literário, constarão nesse blog com links para seus endereços.
Como também constarão críticas à nossa religião.

É fato que nossa religião carece de tradição própria, tendo sintetizado conceitos de muitas outras.
Sendo uma religião de culto à natureza mas ao mesmo tempo considerando-se cristã, ou seja não faz parte do Paganismo, mas católicos e protestantes não a reconhecem como cristã.
Serve-se muito da Doutrina Espírita como embasamento teórico mediúnico, mas não é aceita em Centros Kardecistas, quando muito é tolerada por alguns, mesmo tendo sido revelada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, aos irmãos Kardecistas.

Gostaria de dizer ao público leigo ou iniciantes simpatizantes que "tal coisa é verdade absoluta" e "tal coisa é falsidade", mas não posso. Não sei qual Umbanda é a melhor, sei que os templos religiosos são compostos por pessoas diferentes em suas formações objetivos e expectativas. Mas o que importa verdadeiramente para mim, é a intenção de amor com que os dirigentes, membros de hierarquias e irmãos de corrente mantêm em seus corações ao lidarem com todas as complexas questões que envolvem nossa religião.
Se a causa é boa, o efeito também será e aceito aquilo que faz sentido para mim. O que me parece bom senso, incorporo e administro em meus conceitos. O que me parece equivocado, respeito, mas rejeito e assim vou seguindo meu caminho como cada um dos Umbandistas vem seguindo o seu.

Dissidências existem em todas as religiões, e isso é bom, é produtivo, gera possibilidades de escolhas e posicionamentos.
Mas existem discussões desgastantes e picuinhas que não levam a lugar nenhum.

Vejamos alguns pontos de concordância absoluta:
Umbanda cultua Orixás, como forças da natureza.
Umbanda não faz imolações
Umbanda não faz o mal.
Umbanda Pratica a caridade.
Esses são os preceitos pilares da religião umbandista e de muitas outras.

O que não se admite são propagandas distorcidas, preconceituosas e ignorantes sobre a religião, seus seguidores e principalmente sobre as entidades espirituais que na Umbanda atuam.
Muitas pessoas que têm se interessado pela Umbanda, mas que exercem práticas místicas e esotéricas variadas, estão tentando adaptar a Umbanda à essas práticas, assim como Umbandistas que conhecendo correntes esotéricas e místicas têm tentado adaptar essas práticas nos rituais umbandistas.
Vocês estão percebendo a proporção da confusão?
Por isso quando lerem "verdades" sobre a Umbanda, procurem verificar a credibilidade e conhecimento da fonte.
A Umbanda através, da Linha do Oriente, já agrega a utilização de práticas como cromoterapia, cristaloterapia, radiestesia, reiki, massoterapia, acupuntura.
Se um determinado dirigente, identifica-se mais com esse tipo de trabalho, suas giras, serão mais caracterísitcas dessa linha.
Se um dirigente identifica-se mais com o Kardecismo, suas giras terão mais características da Doutrina Espírita.

Mas até aí tudo bem, o perigo que ronda nossa religião é que pelo fato de oferecer pluralidades, favorece a ação de pessoas de má fé, que se intitulam Pais e Mães de Santo, abrem uma tenda e fazem todo tipo de maluquice dizendo-se Umbandistas. Pronto, o resultado são as manchetes de jornais com esses caras de pau nas páginas policiais, enlameando nossa religião e aos seus seguidores de boa fé. Por isso tenham bom senso, quando procurarem um Terreiro de Umbanda. Aliás tenham bom senso sempre que recorrerem a qualquer ajuda espiritual, médica ou psicológica. É assustador o número de casos tenebrosos que ouvimos nessas áreas.

As opções doutrinárias e estatutos internos, ficam a critério do dirigente e devem ser acatados "ou não"pelos seus filiados, que devem ter a liberdade de ir e vir, quando bem entender e conhecer novas casas e novos dirigentes, até encontrar uma com a qual se identifiquem mais.

Tudo, absolutamente tudo, na Umbanda, do mais simples ritual como uma defumação de abertura de gira, até o cruzamento de um pai de santo, pode divergir de uma casa para outra, ainda que sigam algumas diretizes em comum.
A iniciar pela verificação do Orixá ou em algumas casas, Orixás aos quais o filho pertence, sim porque não é a pessoa que tem o Orixá e sim o contrário. Ela nasceu numa determinada matriz e sua vibração pertence a essa matriz.
Alguns sacerdotes dirigentes, revelam ou verificam o Orixá pelo Obi, outros pelos búzios, outros pela data de nascimento, etc.

Outra fonte rica em pretensas verdades absolutas não confirmadas, é a origem da Umbanda ou origem do vocábulo Umbanda.

Mas é isso, Umbanda é magia, é movimento, é força, é alegria - Com isso todos nós concordamos.

Os textos aqui postados refletem essas diferenças sobre nossa religião.

Muito Axé!
Claudia Baibich
http://caboclosnaumbanda.blogspot.com/

HISTÓRIA DE UM PRETO VELHO






Noite na senzala. Os escravos amontoam-se pelo chão arranjando-se como podem. Engrácia entra correndo e vai direto até onde Amundê está e o sacode: - A sinhazinha está chamando, é urgente! - O Escravo é conhecido pelas mezinhas e rezas que aplica a todos seus irmãos e o motivo do chamado é justamente esse. O filho de Sinhá Tereza está muito doente. É apenas uma criança de cinco anos e arde em febre há dois dias sem que os médicos chamados na corte consigam faze-la baixar. Sem ter mais a quem recorrer, no desespero próprio das mães, resolveu seguir o conselho de sua escrava de dentro e chamar o africano. Aproveitando a ida de seu marido à cidade, ele jamais concordaria, manda que venha. Sabendo do que se tratava o homem foi preparado. Levou algumas ervas e um grande vidro com uma garrafada feita por ele e cujos ingredientes não revelava nem sob tortura. Em poucos minutos adentram o quarto do menino e Amundê percebe que precisa agir com presteza. Manda que Engrácia busque água quente para jogar sobe as ervas que trouxe enquanto serve uma boa colherada do remédio ao garoto. Dentro de uma bacia coloca a água pedida e vai colocando as folhagens uma a uma enquanto reza em seu dialeto. Ordena que desnudem a criança e carinhosamente a coloca dentro da bacia passando-lhe as ervas no pequeno corpo. Nesse instante a porta se abre e surge o Sinhô Aurélio acompanhado do padre da cidade. Tereza grita e corre até o marido desculpando-se. O padre dirige-se a ela com ferocidade: - Como entrega seu filho a um feiticeiro? - dirigindo-se ao marido - Diga adeus ao menino, após passar por essa sessão de bruxaria ele morrerá sem dúvida! Tereza corre até o filho e o cobre com um cobertor enquanto o marido ordena que o escravo seja levado imediatamente ao tronco onde o capataz aplicará o castigo merecido. - Engrácia, acorde todos os negros para que vejam o fim que darei ao assassino de meu filho! Todos reunidos no grande terreiro ouvem a ordem dada ao capataz: - Chibata até a morte! E vocês - aponta todos os escravos - saibam que darei o mesmo fim a todos que ousarem chegar perto de minha família novamente. As chibatadas são dadas sem piedade, Amundê deixa escapar urros de dor entremeados com rezas o que somente aguça a maldade do capataz. Lágrimas copiosas correm pelas faces de muitos escravos. Após duas horas de intensa agonia o negro entrega sua alma e seu corpo retesa-se no arroubo final, finalmente descansará. O silêncio do momento é cortado por um grito vindo da principal janela da casa grande: - Aurélio, pelo amor de Deus - é Tereza com o filho nos braços - o menino está curado, a febre cedeu e ele está brincando! Assim morreu Amundê conhecido em nossos terreiros como o velho Pai Francisco de Luanda. Sua benção, meu pai! Permita que jamais voltemos a ver algo tão perverso em nossa história.


POR LUIZ CARLOS PEREIRA
http://caboclosnaumbanda.blogspot.com/

sábado, julho 31, 2010

Quando precisamos ser salvos


  • Todo guerreiro da Luz já ficou com medo de entrar em combate.
  • Todo guerreiro da Luz já traiu e mentiu no passado.
  • Todo guerreiro da Luz já perdeu a fé no futuro.
  • Todo guerreiro da Luz já trilhou um caminho que não era o dele.
  • Todo guerreiro da Luz já sofreu por bobagens.
  • Todo guerreiro da Luz já achou que não era um guerreiro da Luz. Todo guerreiro da Luz já falhou em suas obrigações espirituais.
  • Todo guerreiro da Luz já disse SIM quando seu coração pedia que dissesse NÃO.
  • Todo guerreiro da Luz já feriu profundamente alguém que amava.
  • Por isso é que é um Guerreiro da Luz.
  • Porque passou por estes desafios e não perdeu a Esperança de se tornar melhor.
  • Para todos, muito amor e fé, para que reacendam a Esperança em seus corações.


-Paulo Coelho-
Somos todos Guerreiros da Luz não devemos nunca perder a esperança, a fé, diante dos desafios da vida.

Fonte do Texto e Imagem blog que achei muito bonito voltarei lá com certeza.
http://amigadosventosnosatabaquesdavida.blogspot.com/

quinta-feira, julho 29, 2010

Interpretação dos Sonhos"Parte 3"


A origem das idéias contidas na obra

Como o observador que se despe dos preconceitos para apreender um fato inusitadamente novo, Freud criou o que seria um método de pesquisa pela escuta. Pouco antes da escritura do livro passara pela experiência de ouvir de uma paciente que deveria calar-se e escutar mais. Obedeceu. Aos poucos percebia que os sintomas histéricos cediam à palavra. Ao narrar a origem dos sintomas as histéricas se curavam. A primeira teoria formulada para lidar com este fato foi a da catarse. Em poucas linhas a idéia central era a de que o sintoma histérico (no exemplo clássico paralisias, cegueiras, convulsões etc…) consumia uma quantidade de energia originalmente vinculada à idéia que provocou o sintoma. Assim, o acesso desta idéia à memória e à palavra deveria recanalizar esta energia represada no sintoma, eliminando-o.

Como conseqüência desta teoria o mais importante a se objetivar seria a rememoração do evento desencadeante. Para facilitar esta rememoração Freud fez uso da sugestão e da hipnose. Começava aí seu isolamento do meio médico. A hipnose tinha uma pré-história acientífica de charlatanismo e apresentações espetaculares, e Freud se encontrava em Viena, capital cultural que costumava não tolerar tais práticas no meio médico. Não por acaso Freud precisa visitar Paris para estudar a hipnose com Charcot, a quem sempre dedicou um profundo respeito.

A teoria da catarse seria progressivamente abandonada na medida em que Freud começava a perceber a presença de algo que se opunha ativamente à rememoração. Este fator de resistência se relacionava exatamente àquelas lembranças mais importantes, servindo portanto de indicador do valor de uma determinada idéia para a doença histérica correspondente. Em outras palavras, quanto mais relacionada à doença, mais resistência seria encontrada na rememoração de uma determinada idéia. A hipnose escamoteava este fator, derrubando todas as resistências. Uma nova abordagem se faria necessária se o que se pretendia era tirar as conseqüências desta descoberta.

Nas tentativas iniciais do que se tornaria mais tarde o método da associação livre Freud simplesmente se submeteu a ouvir o que vinha à mente de seus pacientes. Nos pontos em que localizava alguma resistência aprendeu a reconhecer a necessidade de fazer valer sua presença, em sua insistência e incitação, fazendo com que o paciente se detivesse neste ponto, se esforçasse um pouco mais, de modo que pudesse seguir por uma trilha inicialmente bloqueada. Ainda em busca da memória perdida, Freud começava a apreender o funcionamento dos sintomas, o tipo de defesas com que se protegiam da investigação e a ferocidade com que resistiam à cura. Só em A Interpretação dos Sonhos será possível encontrar suas teses a este respeito.

A importância dada aos sonhos começava aí a tomar força. Deixados livres para falar o que viesse à cabeça os pacientes logo começaram a narrar sonhos, associando-os a eventos relevantes à sua neurose. Freud não se autoriza a legislar o que teria ou não pertinência na narrativa do paciente. Imbuído de uma crença profunda na lei da causalidade supõe que algum fator desconhecido justificaria que os sonhos surgissem na fala dos pacientes. Este fator desconhecido, digamos desde já, seria cernido pelo conceito de inconsciente. Se os sonhos se impunham desta forma à observação do pesquisador, nada mais legítimo que decifrar sua estrutura.

À guisa de comentário paralelo notemos que não só os sonhos adquiriram seu valor desta forma, mas também a sexualidade infantil. Os pacientes também traziam lembranças de sensações sexuais prazerosas vividas na infância, o que, apesar do choque, Freud se viu obrigado a considerar. Esta seria outra idéia responsável pelo isolamento da comunidade científica de sua época.

(Augusto Cesar Freire é psicanalista associado ao Tempo Freudiano Associação Psicanalítica e doutorando em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Fonte do Texto de Pesquisa e Imagem
http://yvannasaraiva.blogspot.com/2008_12_01_archive.html

Interpretação dos Sonhos "Parte 2 "


A gestação e o parto da obra

Na verdade a obra foi publicada em 04 de novembro de 1899. Por uma decisão do editor, no entanto, a data impressa é a de 1900. A correspondência de Freud a Fliess (publicada em português pela Imago) nos fornece os dados a seguir. Durante dois anos Freud se dedicou ao preparo deste que seria um exemplo excelente de estrutura de tese. Sua pesquisa não deixa de fora nenhuma obra conhecida que abordasse o tema dos sonhos, nem mesmo os sempre populares livros de sonhos egípcios. Cada possível argumento, cada possível interpretação é examinada com seriedade e rigor científico. A magnitude do trabalho poderia responder pela lentidão com que o texto foi produzido, mas em suas cartas ao amigo Fliess podemos entender que as razões da demora foram mais pessoais.

O livro é pleno de exemplos. Muitos sonhos são analisados e interpretados. O que mais custou ao autor, portanto, foi o fato de que, devido ao sigilo com que deveria resguardar os sonhos de seus pacientes, Freud utiliza os próprios sonhos para dar seqüência à obra. Como o pesquisador que se contagia com a doença que pretende estudar, Freud se expõe aos efeitos de sua própria tese, tira as conseqüências de seus próprios sonhos trabalhando suas próprias neuroses. E corajosamente, nos expõe todo o processo. Não poucas vezes em sua correspondência confessa que prefere não publicar o livro, se mostra pessimista quanto às conseqüências de suas teses e apreensivo quanto à recepção que o livro teria no meio científico e em seu círculo familiar.

Suas preocupações se mostrariam fundamentadas. O livro vendeu 228 exemplares nos primeiros dois anos após sua publicação, e a tiragem de 600 exemplares demorou oito anos para ser esgotada. Não houve comentários em boletins científicos a seu respeito e as poucas menções ao trabalho raramente eram elogiosas. Somente dez anos depois, com o reconhecimento da importância de Freud e o fim do ostracismo a que foi entregue pela comunidade médica é que a obra passou à categoria de trabalho sério.

Esta acolhida, no entanto, é plenamente justificada. Freud se lançara em um caminho vedado à comunidade científica. Se preocupar com sonhos era uma coisa para poetas e artistas, nunca um cientista consideraria este um tema de trabalho. O romantismo alemão, em pleno vigor, tematizava a alma, as aspirações e os sonhos do homem alemão. A ciência, por sua vez, saía do tratamento moral da doença mental e entrava no organicismo. Neste contexto, as preocupações e métodos de Freud eram, no mínimo, excêntricos.

Freud, no entanto, não era um filósofo. Seu interesse pelos sonhos tem uma justificativa completamente científica. Seu rigor se demonstra em cada linha de seu texto na seriedade com que aceita tirar as conseqüências dos fatos, mesmo que em prejuízo de sua teoria ou de seu status médico. Um pouco da história envolvendo a obra e a própria psicanálise devem esclarecer este ponto.

(Augusto Cesar Freire é psicanalista associado ao Tempo Freudiano Associação Psicanalítica e doutorando em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Fonte do texto e Imagem
http://yvannasaraiva.blogspot.com/2008_12_01_archive.html

Reflexão

Estou aprendendo que a maioria das pessoas não gostam de ver um sorriso nos lábios do próximo.Não suportam saber que outros são felizes... E eles não! (Mary Cely)