Herbário Póetico

Espaço destinado a divulgaçao de: Receitas, Crenças. Misticismo Chás, Ervas&Aromas. Medicina Convencional Fitoterápico e Alternativo! Tudo que se relaciona com coisas naturais! Sem fins lucrativos. Nosso prazer e ver você informado. Agradecemos sua visita! Volte Sempre!

Inteligentes &Perpicazes

Total de visualizações de página

sábado, agosto 04, 2012

A APLICAÇÃO DOS PASSES



Um dos momentos mais importantes de um trabalho mediúnico é a aplicação de passes nas pessoas da assistência, especialmente nos trabalhos de cura da Linha do Oriente.
Abaixo explicações teóricas sobre a aplicação de passes, segundo a doutrina espírita, mais que pode ser adaptada aos trabalhos de Umbanda.
Já que em todos os Terreiros, os médiuns incorporados ou não, aplicam passes nos membros da assistência.

Em "A Gênese - Capítulo XIV - item 33", Allan Kardec nos demonstra que a ação magnética pode produzir-se por diversas formas:


Pelo próprio fluido do magnetizador (passista).
Pelos fluidos do Espírito (desencarnado).
Pelos fluidos do Espírito (desencarnado) combinando com os fluidos do magnetizador (passista).

Também devemos considerar o passe em relação aos seguintes fatores:

Distância
Perto (em torno de 25 cm) - ATIVANTE
Longe (a partir de 30 cm) - CALMANTE
Velocidade
Lento - CONCENTRADOR (Quanto mais lento mais concentra)
Rápido - DISPERSIVO ( Quanto mais rápido mais dispersivo)

O concentrador ajuda a "incorporação", enquanto o dispersivo, evita que a manifestação ocorra.

Tipos de Passes
A ação magnética pode produzir-se de várias maneiras; assim é que classificamos os passes em:

Espirituais
Magnéticos
Mediúnicos
Mistos

Espirituais
É uma espécie de magnetização feita pelos bons Espíritos, sem intermediários, diretamente no perispírito das pessoas enfermas ou perturbadas. No passe espiritual o necessitado não recebe fluidos magnéticos de médiuns, mas outros, mais finos e puros, trazidos dos planos superiores da Vida pelo Espírito que veio assisti-lo.

Pelo fato de não estar misturado ao fluido animalizado, o passe espiritual é bem mais limitado que as outras modalidades de passes. Com isso, pode-se compreender que os recursos oferecidos nas reuniões públicas de Espiritismo, onde participam grande quantidade de encarnados e Espíritos desencarnados, são bem maiores do que aqueles que podemos contar em nossas residências, só com a ajuda do nosso anjo da guarda.

Os Espíritos se utilizam dos seus próprios fluidos e atuam diretamente e sem intermediários sobre encarnados. Os fluidos são manipulados pelos Espíritos passistas, que se utilizam de seus próprios fluidos, dos fluidos dos auxiliares, de fluidos da Natureza, tais como plantas medicinais e, também de fluidos de médiuns à distância.

Magnéticos
É o tipo de passe em que a pessoa doa apenas seus fluidos, utilizando a força magnética existente no próprio corpo espiritual. Pelo menos em tese, qualquer criatura pode ministrá-lo. Suas qualidades variam segundo a condição moral do passista, sua capacidade de doar fluidos e seu desejo sincero de amparar o próximo.

No passe magnético, geralmente se recebe assistência espiritual. Como vimos, isso acontece porque os Espíritos superiores sempre ajudam aqueles que, imbuídos de boa vontade, atendem aos mais carentes. Lembramos aqui, que o socorro dos Benfeitores é independente da crença que o passista ou magnetizador possa ter em Deus ou na Espiritualidade. Os Espíritos disseram a Allan Kardec, em "O Livro dos Médiuns", questão 176:

"...muito embora uma pessoa desejosa de fazer o bem não acredite em Deus, Deus acredita nela".

Transmitidos pelo médium que doa de seus próprios fluidos, de sua própria força irradiante, de suas energias fluídicas.

Magnetizador é aquele indivíduo saturado de fluido vital e que através da vontade - atributo essencial do espírito - usa seu fluido magnético, atua sobre ele, dando-lhe as qualidades necessárias.

No caso do passe magnético não é o fluido dos espíritos desencarnados, apenas eles atuam fortalecendo a vontade do doador.

Pesquisando as teorias kardequianas, vamos encontrar na Revista Espírita - ano VII - janeiro de 1864 - página 7, importante estudo, que elucida um pouco mais o assunto:

"...Em geral o que magnetiza (passista) não pensa senão em desdobrar essa força fluídica, derramar seu próprio fluido sobre o paciente submetido aos seus cuidados. Sem se ocupar se há ou não uma Providência interessada no caso, tanto ou mais que ele. Agindo só, não pode obter senão o que a sua força, sozinha, pode produzir; ao passo que os médiuns curadores começam por elevar sua alma a Deus e a reconhecer que, por si mesmos, nada podem... Esse socorro que envia são os bons Espíritos que vêm penetrar o médium de seu fluido benéfico que é transmitido ao doente... e que são devidas simplesmente à natureza do fluido derramado sobre o médium. Ao passo que o magnetizador (passista) ordinário se esgota, por vezes em vão, a fazer passes, o médium curador infiltra um fluido regenerador pela simples imposição de mãos, graças ao concurso dos bons Espíritos".

Mediúnicos
O médium serve de veículo para os fluidos que os Espíritos derramam sobre ele. É o magnetismo misto, em que se combinam os fluidos humanos e espirituais.

Nesse passe, o médium fica em estado de transe, é envolvido pelo Espírito ou Espíritos e trabalha mediunizado. É desaconselhado este tipo de passe, pela perda parcial da vigilância necessária à boa condução dos trabalhos.

Mistos
São os passes, normalmente usados nas Casas Espíritas, por envolvem o magnetismo das pessoas, a presença dos Mentores da Casa e a presença do próprio Guia do passista, sem que haja a incorporação.

Formas de Aplicação
Poderemos conhecer as técnicas de passe que são usadas no mundo espiritual e que são descritas nas obras de André Luiz e Manoel Philomeno de Miranda.

Passe de Sopro - Insuflação (quente - frio) (André Luiz - Os Mensageiros - Cap. 19);
Rotatório - Circular - (André Luiz - Missionários da Luz - Cap. 19);
Dispersão - (André Luiz - Ação e Reação - Cap. 3) e (Manoel Philomeno de Miranda - Grilhões Partidos - Cap. 15)
Longitudinal - (André Luiz - Missionários da Luz - Cap. 19);

Podemos classificar as formas de aplicação em várias categorias a saber:

Imposição das mãos;
Longitudinais;
Transversais
Rotatórios;
Perpendiculares Imposição dupla ou simples;
Passes de sopro, quente ou frio
Dispersivos
que se dividem em:
Transversais cruzados
Rotatórios ou Circulares cruzados
De sopro
Passe incorporado
---------------------------------------------------------------------------
Analisemos cada um:

Imposição de Mãos

É sempre concentrador de fluidos. Pode ser dado com uma ou com as duas mãos, em um centro de força ou outro ponto qualquer. As mãos devem estar sem concentração de força, sem contração muscular e sim "soltas". Os passistas podem ser digitais ou palmares. Não faz a menor diferença. O importante é não contrariar sua natureza. Os tumores e inflamações respondem bem aos concentrados ativantes. É bom lembrar que as curas instantâneas são muito raras.

Longitudinal
São aqueles feitos ao longo do corpo, da cabeça aos pés e de cima para baixo, com as mãos abertas e os braços estendidos, normalmente, sem nenhuma contração.Com pequenas e sutis pausas em cada Centro de Força. Quando usado como dispersivo é aplicado sem pausas, direto da cabeça aos pés.

Transversais
Estes passes são bons mas apresentam algum inconveniente se usados na câmara de passes, junto a outros passistas. Estende-se os dois braços para diante, as palmas para baixo, assim como os polegares e vai abrindo rapidamente os braços, no sentido horizontal, depois volta, com bastante energia a posição original. Isto deve ser feito, na cabeça, no peito, no estômago, no baixo ventre e nos pés.

Rotatórios ou Circulares
São executados com as palmas das mãos girando suavemente, da direita para a esquerda e vice-versa. São também conhecidos como fricções sem contato.

Perpendiculares
São aplicados com o paciente de pé. Estende as mãos sobre a cabeça do paciente, descendo-as, rapidamente, pela frente e pelas costas, ficando o passista de lado para o paciente.

Imposição dupla: Sem dúvida esta é a forma mais simples e mais comum. Estende-se as mãos sobre a cabeça ou outra parte do corpo. O passista deve ficar em profundo estado de concentração e oração.
Imposição simples: A mesma coisa de imposição dupla, apenas feita com uma mão. A outra pode fica estendida ao lado do corpo ou posicionada acima do Centro Coronário.

Sopro ou Insuflação
Esta modalidade de passes requer do passista cuidados especiais e rigorosos. É um passe rigorosamente curativo ou dispersivo, conforme a intenção da aplicação. É aplicado com a boca mais ou menos aberta, sobre as partes afetadas, insuflando ali, vigorosamente. Para que seja eficiente, é necessário que o passista as aspire ar, em grande quantidade, dilatando o tórax, para os sopros frios, ou dilatando o estômago, para os quentes. O passista deve ter boa capacidade respiratória, hálito saudável, estômago livre de emanações pesadas, Mente e palavras limpas, moralmente.

Os passes de sopro se dividem em:
Estimulantes;
Curativos;
Quentes;
Cicatrizantes Frios;
Calmantes;
Descongestionante;
Revigorantes;
Dispersador de fluidos

O sopro quente sai da boca do passista saturado de fluidos curadores, umedecido pelos vapores aquecidos pelas mucosas do estômago. Aproximar a boca do local, sem repugnância ou medo do contágio e assoprar vigorosamente. Pode-se, em casos mais repugnantes, cobrir o local com uma gaze.

O sopro frio é executado a 30cm. ou até mais de um metro. Aspira-se o ar, enchendo o tórax e soprando com os lábios quase fechados. Esta técnica é usada em pacientes que incorporem durante o passe.

Os dispersivos já exemplificamos a respeito. Relembrando: "Transversais cruzados", "Rotatórios ou Circulares cruzados" e "Sopro frio", são os mais usados.

Passe Incorporado
O passe incorporado não tem motivo para ser aplicado. Os espíritos fazem circular os fluidos pelos médiuns para o paciente. Quando o espírito necessita atuar diretamente, ele não necessita de médium. Isto gera um inconveniente pois pode acontecer de o médium estar envolvido pelo obsessor do paciente e em vez de ajudar, prejudicá-lo.

Classificação em Relação aos Centros Espíritas

Nas Casas Espíritas, como classificação de trabalho, eles podem ser:
Individuais;
Coletivos;
Padronizados;
Livres;
À distância e
Em domicílio.

Fluidoterapia - Explicações necessárias

A fluidoterapia é uma técnica que os médiuns, usando fluidos energizados, utilizam para o tratamento das enfermidades físicas e espirituais. Aplicados sobre o perispírito, eles são absorvidos à semelhança de uma esponja. É a conhecida terapia do passe, praticada nos centros espíritas.

As operações espirituais também pertencem a esta área de serviços porque são atividades ligadas à manipulação de fluidos humanos e espirituais. Classificam-se, porém, como fenômenos de características próprias. Por estarem intimamente ligadas à mediunidade curadora, a equipe envolvida nesse trabalho deverá ter, entre seus membros, um ou mais médiuns curadores.

Estes trabalhos são assistidos por entidades desencarnadas, ligadas ao campo da medicina, conhecedoras de particularidades relativas à saúde físico-espiritual dos pacientes e à lei de causa e efeito.

Quando se considera o serviço de passe convencional, a magnetização dos pacientes não exige nenhuma condição especial para se realizar. Qualquer trabalhador ou Espírito esclarecido poderá ministrá-los com bom aproveitamento, sem maiores exigências. Já na cirurgia perispiritual ela só será concretizada com a presença de médiuns curadores no ambiente, assistidos por Espíritos de médicos desencarnados Pode-se dizer que os papéis do médium curador e dos Espíritos cirurgiões seriam os mesmos do farmacêutico e dos médicos. Enquanto o papel do primeiro é o de ministrar a medicação (fluidos e energias humanas), o desses últimos é o de examinarem cada caso, fazer diagnósticos, prescrever tratamentos fluídicos e, se necessário, realizar cirurgias nos tecidos perispirituais.

Enquanto do lado de cá bastam a imposição de mãos, a prece fervorosa, a conduta moral sadia e a disciplina mediúnica, do lado de lá se desenrola a complexidade das tarefas curativas: a desobsessão (em alguns casos), os procedimentos cirúrgicos, a escolha e seleção de elementos fluídicos a serem utilizados e o estudo das possibilidades de cura ou melhoria das doenças do paciente, frente às suas necessidades evolutivas.

Fechando o Assunto
Passe magnético misto:
Por imposição da(s) mão(s), individual (um passista para cada paciente), sem toque, onde são utilizados os fluidos do médium mais os fluidos dos Espíritos, em favor do processo de cura, inclusive para os grupos de tratamento de desobsessão, que se opera no perispírito e no plano espiritual. Esse processo chama-se fluidoterapia, ou seja, tratamento pelos fluidos, de responsabilidade dos Espíritos.
Passe espiritual:
Aplicado diretamente pelos Espíritos do auxílio magnético, dispensando a presença do médium.
Passe coletivo:
Dado coletivamente numa assembléia (um passista para vários pacientes), com a manipulação dos fluidos a cargo dos Espíritos.
Passe à distância:
É uma modalidade de irradiação muito usada nas Casas Espíritas e que exige prévio aviso àquele que vai receber (nome, endereço, doença, dia e hora da mentalização), com a finalidade de estabelecer sintonia entre o médium que o administra e aquele que o recebe.
Autopasse:
É o passe dado em si mesmo; a prece fervorosa produz efeito de uma magnetização, não só chamando a ajuda dos bons Espíritos, mas dirigindo ao pedinte uma salutar corrente fluídica.
O sopro:
Na visão de André Luiz, embora seja estimulante e eficaz como processo terapêutico, ele só é recomendável àqueles que se enquadram nas regras de boa saúde e higiene, conforme exposto na obra Os Mensageiros.
Essa ressalva é necessária, uma vez que nem todos possuem um organismo (em especial a boca) realmente sádio.

A prece como autopasse

Assim como o homem através dos seus fluidos pode influenciar o seu semelhante, presente ou a distância, pode também agir sobre si mesmo.

O autopasse requer concentração para poder colocar-se na posição de receptor. A seguir, é necessária a meditação e a prece fervorosa. Segundo André Luiz, Nos Domínios da Mediunidade, "A oração é prodigioso banho de forças, tal a vigorosa corrente mental que atrai".

A prece fervorosa, associada à fé na ajuda espiritual, acelera as nossas vibrações, facilitando a ligação com os benfeitores.

A prece impulsiona nossas energias para o alto e atrai as energias espirituais que, somadas às nossas, voltam sobre nós, trazendo fluidos renovadores, a fim de conseguirmos operar com eficiência em favor do próximo. E assim, ajudando, somos também ajudados.


OS PASSES NA UMBANDA
 
 
passes na Umbanda são direcionados pela entidade incorporada ao médium e os movimentos, duração e intensidade variam de entidade para entidade e de acordo com o caso em questão e o tipo de trabalho realizado.
Os passes podem ser aplicados por entidades de todas as linhas: Caboclos, Pretos Velhos, Erês (crianças), Baianos, Boiadeiros, Ciganos, Mestres e guias do Oriente, Exús e Pombas Giras. Embora alguns dirigentes não usem com a frequência que deveriam os passes dos Guardiões, o que é uma pena, pois quem recebe um bom passe dessas entidades, sente-se leve, descarregado e altamente revigorado.
 
 
 
http://ciganaseciganosnaumbanda.blogspot.com.br/2008/10/banho-de-atracao-da-cigana-sete-saias.html

segunda-feira, julho 30, 2012

Sincronicidade

O termo "sincronicidade", (do grego syn, junto, e chronos, tempo) também chamado de "coincidência significativa", foi criado por Carl Gustav Jung para conceituar os fenômenos que não estão relacionados através de causa e efeito, mas que estão ligados através de significados semelhantes.

A sincronicidade ocorre entre o estado psíquico de uma determinada pessoa e:

- Um fato objetivo externo e independente dela que corresponde ao seu estado psíquico, mais sem possibilidade de conexão, ainda que ocorra de modo simultâneo no mesmo espaço e tempo.

- Um fato objetivo correspondente ao estado psíquico da pessoa, simultâneo, mas fora do campo de observação.

- Um fato objetivo e externo correspondente ao estado psíquico da pessoa, mas que não ocorre ao mesmo tempo e só pode ser verificado no futuro. Neste caso, Jung aplica o termo "Estado Sincronístico".

Sincronicidade era para Jung todos os fenômenos sem relação de causa e efeito, mas significativos entre o psiquismo do indivíduo e ocorrências no mundo exterior. Ou seja em alguns momentos determinados eventos ocorrem ao mesmo tempo em nosso mundo interior e no mundo exterior, sem uma conexão causal, eles simplesmente acontecem. E são sempre "coincidências" repletas de simbolismo, que não podem ser previstas ou provocadas.
Entre os sensitivos e médiuns, o fenômeno da sincronicidade ocorre com maior frequência.

Os eventos ligados aos fenômenos da percepção extra-sensorial são considerados por Jung como integrantes da sincronicidade. Em função disso, estudou alquimia, astrologia, I Ching, Tarot.

De modo simplificado, na leitura do baralho cigano, a pergunta falada ou pensada pelo consulente é o componente psíquico e a carta por ele escolhida (simultaneamente enquanto pensa ou fala) é a situação externa e objetiva que "coincide com seu momento interno".
E a interpretação da mensagem contida no simbolismo da carta deve ser sentida, intuída e captada por quem realiza a leitura, traduzindo para o consulente a resposta do oráculo.

Exemplos


- Estado psíquico: Carta
desconfiança de roubo Rato
desconfiança de traição Cobra
medo de morrer, pensar em morte Caixão
saber se vai casar Anel/Aliança

Entendendo que o fato das cartas escolhidas pelo consulente corresponderem simbolicamente a situação exata de sua pergunta, não conclui cabalmente a resposta definitiva e a conclusão da questão.
O consulente tira a carta do caixão, porque está pensando muito que vai morrer logo, a carta escolhida reflete o estado psíquico dele (medo de morte) mas não garante que ele vai morrer e sim que está pensando muito nisso.


Crédito da imagem
http://selfterapias.com.br/sincronicidade/
http://ciganaseciganosnaumbanda.blogspot.com.br/

terça-feira, julho 24, 2012

A pessoa tem que se apostar toda







A verdade é um desafio, o maior que existe. É um desafio para inquirir, é um desafio para buscar e é um desafio para ser. Não é alguma coisa que você vai possuir algum dia – é uma coisa que você tem que se tornar.

E, de fato, você só pode se tornar aquilo que você já é, você só pode se tornar o seu ser.

O desafio da verdade é o desafio do seu próprio núcleo mais interno, o desafio de chegar em casa, o desafio de voltar ao centro, o desafio de reconhecer a si mesmo, o desafio de conhecer, de encontrar a si mesmo.

É árduo. Olhar-se de frente é árduo – porque investimos demais na nossa ignorância; apostamos demais na nossa autoignorância. Então, o autoconhecimento começa a se tomar muito, muito difícil. Assim, todos são chamados, mas apenas uns poucos ouvem o chamado.

E daqueles poucos que ouvem o chamado, muitos desses o interpretam mal, iludem-se a si próprios. Aqueles que ouvem da maneira certa, mesmo eles não persistem muito tempo. Assim, muitos são chamados mas muitos poucos chegam.

De fato, todo mundo é chamado. O desafio de Deus é para todos; é um convite aberto. Você está aqui para este desafio – para aceitá-lo, para passar através do fogo, para ser purificado pelo fogo.

Mas é um jogo de risco; a pessoa tem que se apostar toda. E esta é a ironia: de que quando você não tem nada, tem muito medo de apostar. A ironia... Quando você tem, tem a coragem de apostar também.

Esta é minha experiência de todo dia: sempre que vejo alguém que tem alguma coisa, ele está pronto para se entregar, e sempre que cruzo com uma pessoa que não tem nada, ela tem muito medo de se entregar.

Isso é muito misterioso. Quem não tem nada, tem muito medo de se entregar – talvez tenha medo de que, se ele se entregar, encontrará o seu estado de nada. Se entregar as suas defesas, conhecerá o seu vazio interior, a sua pobreza. É melhor fingir que se é rico e nunca olhar para dentro. É melhor continuar a sonhar: "Eu tenho muito, como posso me entregar?"

Mas esta é minha experiência, e nunca encontrei nenhuma exceção; esta parece ser a regra: aqueles que têm, estão prontos para se entregar, eles não têm medo. E Jesus dizia: "Àqueles que têm, lhes será dado mais, e àqueles que não têm, mesmo isso lhes será tirado."

Quando você tem, tem a coragem de apostar. E quando você aposta, torna-se capaz de obter mais. E quando aposta tudo, incondicionalmente, totalmente, somente então se torna capaz de receber o presente de Deus. Então, Cristo nasce em você.

Quando você aposta tudo, Cristo nasce em você. Quando você passa pela crucificação, quando você é crucificado, há a ressurreição.


Osho, em "O Caminho do Amor: Discursos Sobre as Canções de Kabir"



Leia mais: http://www.palavrasdeosho.com/#ixzz21X0em1jp

segunda-feira, julho 16, 2012

O perigo dos pequenos pensamentos negativos



Como é verdadeiro o fato de que basta seguirmos um ínfimo pensamento negativo para desencadearmos uma série de dúvidas e frustrações! Nossospequenos pensamentos negativos são como um vírus, que rapidamente se multiplica e cresce, causando-nos febre e mal-estar.
É preciso manter nossa mente sob uma lente de aumento de microscópio.
Como são tantos os pensamentos que fluem em nossa mente, na maioria das vezes não nos damos conta do quanto somos invadidos por atitudes mentais destrutivas. É como a gripe: na maioria das vezes, só percebemos que estamos gripados quando começamos a nos sentir mal. Mas assim como é possível reverter um processo gripal se soubermos identificar seus menores sintomas, podemos reverter a mente negativa ao aprender a identificá-la assim que ela surgir.
Lama Gangchen Rinpoche nos ensina a reconhecer os menores sinais de mudança de nossa mente nas diversas expressões de rosto: elas refletem as nuanças de cada forma-pensamento. Para tanto, ele nos estimula a usar nossa capacidade de manter a atenção como um espelho. Isto é, se estivéssemos vendo nossa imagem 24 horas refletida num espelho, ficaríamos surpresos ao ver quantas de nossas expressões faciais não são tão belas quanto aquelas que tentamos fazer quando nos olhamos no espelho rapidamente para nos arrumar.
Se não queremos mais ter faces feias, temos que começar por admitir que costumamos fazê-las, alertou Lama Gangchen Rinpoche em seus ensinamentos.
Mas, por que fazemos faces feias? Rinpoche nos lembra que estas faces expressam nossa fome e sede interior que se agravam à medida que não fazemos nada para saciá-las! Costumamos perder mais tempo nos lamentando da fome do que gerando recursos para supri-la. Isso ocorre porque conhecemos pouco os alimentos da alma. O que torna nossa mente sutil satisfeita?
São atitudes que nutrem nosso corpo e mente sutil: orar, recitar mantras, fazer visualizações criativas, assim como mover o corpo com gestos pacíficos. Temos que admitir que nossas atitudes habituais não nos nutrem verdadeiramente, pois são o resultado de uma mente pequena que quer apenas se proteger, se defender. Mas possuímos também uma mente grande, que busca naturalmente por evolução.
Thomas Moore, em seu livro O que são almas gêmeas (Ed. Ediouro), comenta que por mais verdadeiros que sejam os problemas da vida prática, eles nunca são idênticos às preocupações da alma. Por isso, escreve: Para nos devotarmos à alma, talvez seja preciso soltar outros vínculos, e para permitir que a alma expresse sua própria intencionalidade e propósitos, talvez tenhamos que abrir mão de antigos valores e expectativas.
De fato, as exigências da alma podem nos parecer paradoxais. Por exemplo, quem não conhece o desejo de querer se libertar das atitudes baseadas no apego, como o ciúme? Apesar da alma não querer viver sob a tensão do controle, nossa mente pequena encontra apenas segurança quando controla tudo e todos...
Por isso, sentir a satisfação interior é uma tarefa difícil demais para uma mente pequena!
Lama Gangchen nos ensina a diferenciar as atitudes mentais entre uma pequena e uma grande mente. Quanto estamos sob os ditames da mente pequena, dizemo-nos: Eu não sei... eu não quero... eu não posso... Mas quando atuamos com nossa mente grande, proclamamos sem dificuldade: OK, eu posso lidar com esta situação, seja ela agradável ou não.
A mente grande não rejeita nenhuma experiência da vida. Afinal, ela não está contaminada por atitudes covardes ou indulgentes. Se passarmos a observar honestamente quantas situações podemos enfrentar se não seguirmos nossa mente pequena, ficaremos surpresos e felizes em notar que podemos fazer muito mais do que estamos habituados.
Temos que admitir que as atitudes mentais de uma mente pequena não nos nutrem verdadeiramente, pois são o resultado da insegurança. Uma mente pequena diz que não sabe, mesmo antes de se questionar. Diz que não quer, sem ter consultado seus desejo mais profundos. Baseadas na carência, são atitudes que buscam se defender sem até mesmo terem sido atacadas. Uma mente pequena é tendencialmente competitiva. Apesar de ser uma mente baseada na crença de ser excluída e solitária, não busca por união. Já a mente grande busca naturalmente evoluir, unir, comungar.
A mente pequena nutre o sofrimento, enquanto que a mente grande sabe como absorvê-lo. O sofrimento perde sua força ao passo que é reconhecido pela mente grande. Por isso, os mestres budistas nos incentivam a dialogar com o nosso sofrimento. Lama Gangchen nos fala: Deixe a sua sabedoria conversar com a sua ignorância. Dê tempo e espaço para sua sabedoria de expressar. Ela não deve ficar oprimida pela ignorância.
A agitação interior é um reflexo do movimento de uma mente pequena. Se nos determinarmos a não segui-la e, cultivarmos uma atitude de calma e a atenção, já estaremos manifestando naturalmente nossa mente grande!

Bel Cesar é psicóloga e pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano. Trabalha com a técnica de EMDR, um método de Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares. Autora dos livros Viagem Interior ao Tibete, Morrer não se improvisa, O livro das Emoções, Mania de sofrer e recentemente.
O sutil desequilíbrio do estresse, todos pela editora Gaia.


Visite o Site
Email: belcesar@ajato.com.br

http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=5191
Fonte de minha pesquisa:
http://existenciaconsciente.blogspot.com.br/2012/04/o-perigo-dos-pequenos-pensamentos.htm

quinta-feira, julho 05, 2012

Abra espaço para a alegria

 



Conhecer a si mesmo é muito fácil. Você não precisa aprender quem você é, precisa, sim, desaprender algumas coisas.

Primeiro, você tem que desaprender a se preocupar com tudo. Segundo, você tem que desaprender a se preocupar com os pensamentos.

A terceira etapa é uma conseqüência natural – basta observar.

Qualquer lugar serve, o fundamental é começar a observar mais as coisas. Sentado, em silêncio, olhe uma árvore. Não pense e não se pergunte "Que tipo de árvore é essa?" – não julgue se é bonita ou feia, se está verde ou seca. Não deixe que nenhum pensamento crie perturbações, apenas observe a árvore.

Você pode fazer essa meditação em qualquer lugar, olhando qualquer coisa, apenas lembre-se de uma coisa: quando o pensamento vier, coloque-o de lado e continue observando. No começo será difícil, mas logo as pausas começarão a surgir: não haverá nenhum pensamento, mas você extrairá uma grande alegria com essa simples experiência.

A árvore está lá, você está lá e entre os dois há um espaço vazio – sem pensamentos. De repente surge uma grande alegria, aparentemente sem razão alguma. Você aprendeu o primeiro segredo.

Isto tem que ser usado de uma forma mais sutil. Por ser mais simples, eu sugiro que você comece com um objeto. Você pode sentar-se em seu quarto e ficar olhando para uma fotografia – não pense, apenas olhe. Aos poucos, você percebe que a mesa está lá, você está lá, mas não há nenhum pensamento entre vocês dois.

A sensação de alegria é imediata. É a sensação de contentamento que fica reprimida pela profusão de pensamentos.

Comece com os objetos e, quando tiver entrado em sintonia, ao sentir que os pensamentos desaparecem e os objetos permanecem, passe para a segunda etapa. Feche os olhos e volte-se para qualquer pensamento que surgir na tela de sua mente: pode ser uma face, uma nuvem se movendo ou qualquer outra coisa – apenas olhe, sem pensar.

Essa etapa será um pouco mais complicada do que a primeira porque as coisas são ainda mais simples e os pensamentos especialmente sutis. Seja paciente. Pode levar semanas, meses ou anos: depende do seu grau de atenção e entrega.

Um dia, de repente, o pensamento não estará mais lá e você se encontrará sozinho. A grande alegria será mil vezes maior do que da primeira vez, quando você percebeu que a árvore estava lá e o pensamento tinha desaparecido.

Este é o momento de começar a terceira etapa: observe o observador. Os objetos e os pensamentos foram deixados para trás: agora você está sozinho. Seja o observador desse observador. No começo será difícil porque nós só sabemos prestar atenção em algo – um objeto ou um pensamento. Agora não há nada, só o vazio absoluto. Apenas o observador permanece. Você tem que se voltar para si mesmo.

Esta é a chave mais secreta. Você continua sozinho. Descanse nesse instante de solidão e, quando o momento chegar, você saberá, pela primeira vez, o que é a alegria. É você em sua essência. É como voltar para casa.

Você tem que desaprender coisas e pensamentos. Preste atenção no que é mais simples, depois no que é sutil e, finalmente, no que está além do simples e do sutil.

Osho, em "Uma Farmácia Para a Alma"
Imagem por 2002ttorry


Leia mais: http://www.palavrasdeosho.com/2012/07/abra-espaco-para-alegria.html#ixzz1znHehbk9

Reflexão

Estou aprendendo que a maioria das pessoas não gostam de ver um sorriso nos lábios do próximo.Não suportam saber que outros são felizes... E eles não! (Mary Cely)