Herbário Póetico

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Inteligentes &Perpicazes

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sexta-feira, maio 13, 2011

Ser Médium


A mediunidade é registro paranormal que se encontra ínsito na criatura humana, à semelhança da inteligência, da razão.

Todo indivíduo que conscientemente ou não, capta a presença de seres espirituais é portador de mediunidade, cabendo-lhe a tarefa de desdobrar os recursos parafísicos, através de conveniente educação, graças à qual se tornará instrumento responsável para o ministério superior a que a mesma se destina.

Inicialmente confundida com várias patologias, sejam de ordem mental ou orgânica, a mediunidade fez-se meio para demonstrar o equívoco em que teimavam permanecer os seus adversários gratuitos ou os investigadores apressados.

Caracterizando uma função sempre presente no homem em todas as épocas, só a partir de Allan Kardec passou a receber estudo profundo e consideração, vindo, então, a ocupar o lugar que lhe é devido, como ponte para o intercâmbio entre os espíritos de ambos os lados da vida com aqueles que se encontram mergulhados na mesma faixa das percepções psíquicas no corpo físico.

Espontânea, surge em qualquer idade, posição social, denominação religiosa ou cepticismo no qual se encontre o indivíduo.

Normalmente chama a atenção pelos fenômenos insólitos de que se faz portadora, produzindo efeitos físicos e intelectuais, bem como manifestações na área visual, auditiva, apresentando-se com gama variada conforme as diversas expressões intelectuais, materiais e subjetivas que se exteriorizam no dia-a-dia de todos os seres humanos.]

Direcionando a observação para as ocorrências inabituais que lhe sucedam, o médium descobre um imenso veio aurífero que, penetrado, brinda-o com gemas de inapreciável qualidade.

Assim como o mergulhador educa a respiração para descer nas águas profundas onde espera encontrar ostras raras, portadoras de pérolas incomuns, o médium tem o dever de disciplinar a mente, a fim de aprofundar-se no oceano íntimo e dali arrancar as preciosidades que se encontram engastadas na concha bivalve das aspirações morais e espirituais.

Às vezes, quando do aparecimento da mediunidade, surgem distúrbios vários, sejam na área orgânica, através de desequilíbrios e doenças, ou mediante inquietações emocionais e psiquiátricas, por debilidade da sua constituição fisiopsicológica.

Não é a mediunidade que gera o distúrbio no organismo, mas a ação fluídica dos espíritos que favorece a distonia ou não, de acordo com a qualidade de que este se reveste.

Por outro lado, quando a ação espiritual é salutar, uma aura de paz e de bem-estar envolve o medianeiro, auxiliando-o na preservação das forças que o nutrem e sustentam durante a existência física.

A educação ou desdobramento mediúnico objetiva ampliar o campo de realização paranormal, porquanto, através dos recursos próprios, tem a especial finalidade de instruir os homens, realizar a iluminação de consciências, facultar o ministério da caridade, pelas possibilidades que proporciona aos desencarnados em aflição de terem lenidos os sofrimentos, as mágoas, a ignorância…

A faculdade de ser médium, própria dos seres inteligentes, constitui um superior instrumento de serviço ao alcance de todos, dependendo de cada um atender-lhe a presença orgânica ou ignorá-la, apurando-lhe a sensibilidade ou perturbando-lhe o mister, deixando-a ao abandono, aí correndo riscos de ser utilizada por entidades perversas ou levianas que se encarregarão de perturbá-la, entorpecê-la ou torná-la meio de desequilíbrio para o próprio médium como para aqueles que o cercam.

Não é, portanto, o ser médium ou não, mas a conduta que este se aplique que atrairá mentes que se irradiam no mesmo campo de vibrações especiais.

Swedendorg, ao perceber a presença da mediunidade, cientista e culto, não tergiversou em estudar a faculdade e dedicar-se ao seu exercício, brindando a humanidade com valioso patrimônio de sabedoria, esperança e paz.

Edgar Cayce, constatando a manifestação mediúnica de que se tornou objeto, aplicou-se ao labor pertinente e auxiliou dezenas de milhares de pacientes que lhe buscaram o socorro…

Adolf Hitler, depois de freqüentar o Grupo Thule, de fenômenos mediúnicos, dirigido por Dietrich Eckhart, em Berlim, ensandeceu-se, e, fascinado, acreditou-se a “mão da Providência”, tornando-se destruidor de milhões de vidas e responsável por males incontáveis, que ainda permanecem na Terra…

A mediunidade, em si mesma, não é boa nem é má, antes, apresenta-se em caráter de neutralidade, ensejando ao homem utilizá-la conforme lhe aprouver, desse uso derivando os resultados que acompanharão o medianeiro até o momento final da sua etapa evolutiva no corpo.

Pelo Espírito de: Vianna de Carvalho

Médium: Divaldo P. Franco

Livro: Médiuns e Mediunidades

Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec


http://artigosespiritas.wordpress.com/page/6/

terça-feira, maio 10, 2011

LUZ AFIRMATIVA





A palavra é um voto de confiança, uma declaração de ordem — Lei que o universo recebe através da vontade e manda fabricar. O verbo sempre se faz carne.

"Não existe nenhuma voz que lhe ensine melhor que a sua. Você é o seu próprio salvador. Você é o seu próprio mestre. Você é o seu próprio professor. Pois quem você é, é a fonte da mente aberta, ilimitada, inexplicável." [Ramtha]


*Aumento da autoestima.
*Cura física. Estimula a paixão nos neurotransmissores cerebrais.
*Provoca vício bem-aventurado em todas as células. Uma célula propaga a ideia para a célula vizinha — reação em cadeia.
*Melhora na qualidade dos relacionamentos.
*Dissolução dos problemas que vinham lhe afetando.
*Antidepressivo e curativo. Melhora estabiliza o humor.
* Faz com que os neurotransmissores cerebrais aumente a produção de serotonina.
*Importante: Afirmações transformam-se em crenças.
* Esta é a melhor maneira de construir uma crença.
*Aumento do nível de consciência e intuição.
*Aniquila com os julgamentos: energia colocada fora.
*Silencia o lixo e a paranoia mental.
*Dissolve os nós karmicos vinculados pela culpa.
*Uma hora de afirmação é muito melhor do que um ano de terapia.
*Realização exata daquilo que você diz.
*Unidade: constrói uma aliança inquebrantável com o Divino em você.


Não é preciso que saia som da sua boca. As afirmações correm por uma via íntima de poder. Você pode afirmar na fila do banco, na sala de espera do dentista ou dirigindo. A afirmação pode correr silenciosa como um pensamento perpetuado em seu interior. Se estiver só, fale em voz alta e até as paredes estarão “pensando” através dessa vibração. É um poder invisível que direciona tudo ao seu redor. Quem entrar na sua casa, ou encontrar você na rua será tocado inconscientemente por essa mensagem, este poder irradia e emite informação para tudo e todos!
Você tem que romper definitivamente com a mente e a linguagem que criou uma realidade indesejada. Aquilo que você diz vai determinar o nível da sua vibração pessoal. Não há outra maneira de empurrar suas emoções para uma postura vitoriosa. Divirta-se quando estiver afirmando. É o seu poder em ação e isso tem que ser libertador. Suas afirmações são vivas, ricas e repletas de energias. Semelhante atrai semelhante e por isso todas as energias equivalentes em relação a uma palavra se aglomeram e começam a pulsar através do magnetismo.
Converse sozinho! Conte uma estória em grande estilo para si mesmo, invista nas melhores palavras que costuram os melhores sentimentos. Sinta cada palavra em sua essência verdadeira. Em vez de falar bobagem por aí, conte algo precioso para si mesmo. Falar sobre as coisas que lhe apaixonam silencia o julgamento da mente. Utilize toda a sua energia para estar em companhia do seu íntimo realizador. Assim como levou um tempo para que a sua mente antiga lhe trouxesse para onde você está agora, talvez leve um tempo para que a seu novo direcionamento lhe leve para o lugar da plena realização. O mundo lá fora não vai lhe trazer nada tão rico quanto estar com o núcleo do seu poder realizador. Depois que as conquistas vierem você saberá que nada foi em vão!
Algo desagradável acontece para alguém que já “saca” uma frase feita: “Não podemos contentar a todos”, ou: “A inveja é uma merda.” Esta pessoa não consegue saltar fora do pensamento de massa que fará com que ela tenha uma vida diferente e bem-aventurada. A manifestação ocorre porque há um gerador de crenças em seu interior que produz cada evento. Para reverter isso, devemos ser geradores de novas crenças, através dessas frases que ficam conversando conosco todo o tempo na cabeça…E, consequentemente, os eventos vão mudar, serão gerados a partir das novas ordens. “Parece que cada estrela do firmamento está pingando mel sobre mim, isso é maravilhoso!” ou, “ Eu sou tão feliz ao teu lado.” “Tudo o que eu vivo é rico e afortunado.”






“A realização é produto de uma atitude. Pensamento é uma atitude; portanto, é força, e sendo assim as orações são fórmulas pelas quais exercitamos a nossa vontade e tentamos atrair as bênçãos da luz astral ou vontade divina. É o caso de fazermos o universo unir-se a nós em nossos propósitos. Prestemos atenção às frases ditas, na profundidade delas, e sinceramente desejamos que tal coisa aconteça. Aí está o valor dos salmos, das orações de todas as religiões , de toda e qualquer ladainha ou litania: na consciência do objetivo a que nos propomos e na vontade manifestada para alcança-la.” (A Roda da Fortuna – Livro: Desvendando o Tarô de Patrícia Fernandes)


Leitor, vale a pena ler direto do blog Amor e Paz sem Fronteiras!


FONTE:
http://atalhosparaocaminho.blogspot.com/
Eu sempre faço Posts em especial a todos os visitantes,mas este em especial foi diretamente para esta blogueira.A Auto afirmação da livre consciencia é definivel e complicada.Leiam absor
va e visite o blog da fonte é especial.Atalhos para o caminho.

quinta-feira, maio 05, 2011

Massagem no Ego?


Vida vazia, vida perdida
Depois de uma pausa para reflexão, retorno novamente para trazer o resultado deste período contemplativo. Durante este pequeno “recesso”, algumas questões vieram à tona, me questionando, confrontando e me fazendo pensar no propósito de minha vida e na vida que as pessoas em geral levam. O título do post pode até parecer meio depressivo. De fato, observando o cotidiano do cidadão médio, não há outro sentimento que possa vir como resultado.



Massagem no Ego?




Um dos questionamentos que me assaltaram neste meio tempo foi o seguinte: “Estarei eu utilizando o espaço do blog somente para me auto promover e inflar o Ego?” Essa pergunta me atingiu de uma maneira um tanto inesperada, mas, não deixa de ser uma possibilidade. Afinal, o Ego é ardiloso e se não o mantivermos em rédea curta, já sabemos o que pode acontecer.
Bom, voltando ao assunto, a resposta para tal pergunta não é tão óbvia quanto um sim ou não. Temos a tendência de polarizar tudo na nossa realidade, entretanto, o universo não é regido pela polaridade, mas pelo equilíbrio. Polaridade leva ao conflito, à desarmonia, ao caos. No caso da questão sobre o blog estar sendo uma ferramenta para massagear o meu Ego, tenho que admitir a você que a resposta é sim e não. Como assim?! Meu ego quer se promover e se sente lisonjeado com a quantidade de acessos, com os elogios nos comentários e tudo o mais. Se algum blogueiro disser que não sente a mesma coisa com o “sucesso” de audiência está enganando seus leitores ou não conhece a si mesmo. Porque essa é a natureza do Ego, se auto afirmar e buscar a primazia sobre a essência divina. Há algo de perverso nisso? Depende. Se o ego for o senhor de sua vida, a perversidade estará manifesta e todo o esforço empreendido comprometido, entretanto, se o ego estiver em seu devido lugar (como parte da ferramenta corpo/mente para manifestação do Ser neste plano de existência) então o Ser pode “administrar” esse rompante egóico e compreender que isso não passa de infantilidade e rebeldia do “instrumento” querendo, em vão, mostrar o seu valor. É aí que o não da questão se faz presente e trás como consequência a razão de ser deste “empreendimento”: Contribuir com a evolução humana da maneira mais singela e possível a esta partícula do criador. Sendo assim, continuemos focados no objetivo de crescer e ajudar os outros a fazer o mesmo.


Viver pra que mesmo?


É desanimador observar como as pessoas jogam suas vidas fora. O fascínio pelo mundo é tamanho que ofusca qualquer tentativa de fazer desta vida algo útil para o planeta, para a espécie e para si próprio. Vejo pessoas se submeterem às mais degradantes situações só para manter ou atingir um status-quo na sociedade que não passa de ilusão e esterco.
Algo emblemático que me fez pensar sobre isso é o absurdo mundo das celebridades (que de celebre não tem nada). Alguns podem achar que eles são aqueles que se deram bem na vida, são os vencedores e o modelo a ser seguido. Mas será mesmo? Se é assim, por que os tabloides estão cheio de notícias sobre suicídios, prisões, alcoolismo, drogas, divórcios e todas as atitudes de quem quer fugir da realidade? Há algo de errado aí, e estes são os sintomas que vêm à tona. Na verdade estas celebridades estão no topo da insanidade humana! Cantores que se submetem a jornadas desumanas de shows para poder manter a riqueza pessoal e o sucesso, compositores levados ao desespero para emplacar outro sucesso nas paradas, praticamente fritando seus cérebros para que a criatividade aflore com toda a frequência frenética necessária para matê-los na mídia; escritores, idem; atores que emplacam um filme atrás do outro, modelos obsessivas com o próprio corpo são levadas ao desespero com a chegada da idade ou uns quilos a mais. E o que inicialmente era algo prazeroso (cantar, atuar, escrever, jogar), passa a ser um martírio e, assim, todos são levados ao limite do seu potencial por um objetivo ilusório e que, no fim, os torna escravos de seus próprios desejos, deixando de lado, por conseguinte, a razão de ser de seu esforço: viver a vida.
As celebridades são o exemplo máximo, mas cada cidadão do planeta, em um grau menor, é verdade, vive o mesmo drama: Passa os primeiros anos da vida numa escola que irá prepara-lo(?!!?) para trabalhar, ter filhos constituir uma família. Então o cidadão adquire a famigerada ambição e não se satisfaz em ter o bastante, mas quer ter mais e mais. Quer ser como as celebridades, ganhar muito dinheiro, poder fazer o que bem quiser e ser tão belo quanto... (vira escravo do Ego). Como os recursos são limitados e nem todos tem talento/capacidade de ir tão longe, o cidadão comum repousa na sua mediocridade.




A maioria aceita com resignação a vida programada desde o princípio. Não, é claro, sem o esporão da frustração lhe espetar todos os miseráveis dias de sua vida: “Por que não nasci rico, por que não tenho um talento extraordinário, por que não sou tão bonito...” E nessa frustração fica cego e também esquece de viver a sua vida e vive da ilusão da beleza inalcançável (a não ser que tenha um photoshop pra ajudar) da fortuna e da vida dos outros. Não é a toa que os tabloides, sites de fofoca, revista de beleza e boa forma, e a TV tem tanta audiência.
É por isso, querido leitor, que não caio na armadilha do meu Ego e não transformo algo prazeroso, com propósito e objetivo definido (que é escrever aqui), em uma busca insana por “audiência” e popularidade, sendo levado a cair na mesma insanidade descrita no inicio deste tópico. Tenho uma vida para viver e descobertas a fazer assim como cada um que está neste mundo.


Fique atento e não caia nesta armadilha também.


Um abraço.

http://aquelequebuscaverdade.blogspot.com/2011/03/vida-vazia-vida-perdida.html

Auriculoacupuntura












Auriculoacupuntura
O que é?



Auriculoacupuntura é a acupuntura realizada em pontos da orelha. Esta terapia pode ser baseada na teoria da medicina chinesa ou na escola francesa de Nogier, médico francês que estudou cientificamente a orelha e a correlacionou com os folhetos embrionários (Ectoderma, mesoderma, endoderma). Há uma correlação entre o pavilhão da orelha e o feto na posição invertida intra-uterina como mostram as ilustrações:



Como funciona?


A orelha é inervada por 3 nervos, o grande nervo auricular do plexo cervical , o nervo auriculotemporal do ramo trigeminal e o ramo auricular do nervo vago. Esses nervos inervam regiões distintas da orelha, cada qual correspondendo a um órgão, estrutura do corpo humano ou possuindo uma ação específica. Inibidores da fome e ansiedade são alguns dos pontos mais conhecidos da auriculoterapia. Outros regulam os hormônios ou liberam substâncias analgésicas ou ainda outras que promovem o bem-estar. Agulhas minúsculas parecidas com tachinhas ou sementes são inseridas precisamente e deixadas na orelha para continuar o estímulo por alguns dias. Vale salientar que a prática da auriculoacupuntura é mais eficaz quando associada a outras terapias, bem como a bons hábitos alimentares e exercícios físicos.


Quais os benefícios?


“Obter-se a melhora sintomática e a resolução da enfermidade.” (Auriculoterapia – Ernesto G. Garcia – Ed. Roca). Do ponto de vista terapêutico energético diríamos que à medida que o organismo está com sua energia harmonizada e equilibrada os sinais e sintomas desaparecem.


A Organização Mundial de Saúde recomenda: “Incluam a auriculoterapia e a acupuntura na sua prática”. (Cf. Dr. Rafhael Nogier;
PRÁTICA FÁCIL DE AURICOLOTERAPIA E AURICULOMEDICINA; Ed.Ícone; São Paulo; 2001)


Acupuntura auricular e sistêmica na síndrome de abstinência e distúrbios associados


http://ekubooriental.blogspot.com/

sexta-feira, abril 29, 2011

A Voz do Silencio.


A voz do silêncio



O atendimento da noite agora encerrava naquela terreiro de Umbanda.

Alguns dos pretos velhos que haviam trabalhado, desligavam-se de seus aparelhos, não sem antes equilibrá-los com energias edificantes e benfazejas.

Um dos médiuns, após, praticamente “despachar” seu protetor, apressou-se em ajoelhar-se aos pés da preta velha que ainda permanecia incorporada, para solicitar aconselhamento.
O bondoso espírito acolheu amorosamente suas lamentações como o fez com todos os outros que haviam passado por ela naquela noite.

Ouviu a tudo fumegando seu cachimbo, porém nada falou. Saravou aquele filho, agradecendo- o pela caridade que havia prestado e assim se despediu, largando seu aparelho.

O médium por sua vez, desajeitadamente se retirou sem conseguir entender o silêncio da Preta Velha. Um misto de rejeição e indignação passou a povoar seus sentimentos.

- “Então é assim! Eu fico fazendo caridade por horas a fio e quando solicito ajuda o que recebo?”
Enquanto a corrente mediúnica realizava as preces de encerramento da sessão, ele sentiu uma inexplicável sonolência que o obrigou a dirigir-se diretamente para casa, ignorando o programa prévio de sair com os amigos para mais uma noitada de lazer em bares da cidade.

Mal adormeceu, em corpo astral, através do desdobramento, percebeu estar ajoelhado sobre folhas verdes e cheirosas num ambiente simples, cujas paredes eram feitas de bambu, o teto de folhas de coqueiro e o chão de terra batida.

Algumas tochas iluminavam o local e havia uma cantiga no ar que ele bem conhecia. Sentindo a presença de alguém, virou-se e o viu sentado em seu tosco banco com aquele sorriso matreiro e cachimbo no canto da boca. Sua roupa, bem como seus cabelos brancos contrastavam com a pele negra. Os pés descalços e calejados. No pescoço um rosário cujas contas eram pura luz. Sim, era ele, Pai Benedito, seu protetor.
- Saravá zin fio!
- Saravá meu Pai!
- Pai Benedito chamou o filho até sua tenda para poder explicar tudo aquilo que você não conseguiu entender com a orientação da mana lá no terreiro da terra.
- Meu Pai, ela nada falou…
- E suncê se magoou, não foi?
- -É… não compreendi.. .
- Por isso Pai Benedito o trouxe até aqui e vai explicar. Os filhos da terra ainda não conseguem compreender a mensagem do silêncio devido as suas mentes aceleradas pelo imediatismo, pela
falta de concentração e pelo vício de “receitas prontas”. A mana que nada disse ao filho, agiu assim justamente para incentivar a sua busca das respostas. Queria que o filho, instigado pela falta do
aconselhamento a que vinha se acostumando, pudesse parar e pensar. Pensar em todos os conselhos que seu protetor, através de seu aparelho, havia passado para as pessoas que atendera lá no terreiro há momentos atrás.

O silêncio da preta velha, quis dizer ao filho que o primeiro e maior beneficiado da abençoada tarefa mediúnica é o próprio mediador. A sua característica de médium consciente permite que receba e transmita os nossos pensamentos e os bons fluídos dos quais se torna canal. Para que o intercâmbio “médium-espírito” aconteça, pela bondade divina , o corpo astral do mediador é previamente preparado antes de reencarnar através da “sensibilização fluido- mediúnico” de seus centros de forças para que assim se dê a afinização com seus protetores.

Durante toda a vida encarnada, é ainda alertado e amparado para que possa exercer o mandato dentro do programado. No entanto, existe um carma envolvendo tudo isso e o fato dos filhos prestarem a caridade não os isenta dos entrechoques a que estão sujeitos na matéria, que nada mais são do que ensinamentos necessários do certo e do errado.

Respeitando as escolhas feitas, esses protetores tantas vezes, mesmo e apesar de todo esforço, perdem seus pupilos para os descaminhos da vida, e então resta-lhes aguardar que o relógio do tempo os traga de volta pela mão da dor.

Pai Benedito não se entristece se o filho por vezes o dispensa ou não entende suas mensagens. Nem mesmo quando o filho desfaz as energias recebidas após o trabalho de caridade através da busca de prazeres ilusórios e momentâneos. Apenas ajoelha diante do congá, que no plano astral fica sempre iluminado pelas velas da caridade prestada nas poucas horas em que a corrente de médiuns se reúne na terra, e implora ao Pai Oxalá a sua compreensão para todos os espíritos que ainda teimam em permanecer colados às suas mazelas no plano terreno.

Por isso filho, estando aqui em frente a este espírito que tanto o ama e cuja ligação perde-se no tempo, peço que desabafe suas dores, que tire as dúvidas que angustiam seu coração.

Agora o silêncio era todo seu.
Apenas as grossas lágrimas que desciam de sua face falavam de sua pouca fé, de seu descrédito até então, pela própria mediunidade. De seus momentos de incertezas quanto a estar servindo realmente de canal para Pai Benedito, de seus medos em relação ao animismo e da confusão que fazia dele com a mistificação. Mas principalmente de sua vontade de largar tudo pelos prazeres do mundo, afinal era muito jovem ainda para levar uma vida regrada em função da mediunidade.

- Pai Benedito compreende a angústia do filho, mas pede que revise os tantos avisos que recebeu em seus sonhos, nas palestras instrutivas que ouviu lá no terreiro, nos livros que chegaram até suas mãos e nas tantas vezes que a Preta Velha o instruiu, o aconselhou. Onde estão estas informações? Para quem eram dirigidas nossas palavras nos atendimentos, senão para você que as ouvia antes de repassá-las?

Nada é proibido aos filhos no estágio da matéria, mas em tudo deverá existir o equilíbrio.
O silêncio da Preta Velha havia sido traduzido e agora ele conseguia compreender que fora o melhor, dos tantos conselhos que ouvira dela. Fechando seus olhos, a ela agradeceu mentalmente e quando os abriu, além do cheiro de incenso e da claridade que se instalara naquele ambiente, percebeu que tudo modificara.

A humilde tenda agora era um templo iluminado por vitrais coloridos que formavam filetes de luz que se entrecruzavam num quadro de beleza estonteante. No chão, ao centro, em esplendoroso piso vitrificado havia o desenho de uma mandala, que de seu centro irradiava luz dourada.

Já não estava mais diante daquele Pai Velho em humildes trajes, pois ele havia se transfigurado num ser de características orientais, de olhar penetrante.

Nada pode pronunciar, sua voz embargou. Havia que se fazer o silêncio para que só ele traduzisse a mensagem agora recebida. Naquela manhã acordou muito cedo, tendo plena lembrança de seu “sonho”. No ar, ainda o cheiro do incenso. Não fosse a exigência da vida física, ficaria o dia todo calado, saudando o silêncio da Preta Velha.

“Que nos ouça, quem tem ouvidos de ouvir”.
Saravá aos filhos da Terra!
Vovó Benta

Fonte:
http://luzdearuanda.blogspot.com/

Reflexão

Estou aprendendo que a maioria das pessoas não gostam de ver um sorriso nos lábios do próximo.Não suportam saber que outros são felizes... E eles não! (Mary Cely)