Herbário Póetico

Espaço destinado a divulgaçao de: Receitas, Crenças. Misticismo Chás, Ervas&Aromas. Medicina Convencional Fitoterápico e Alternativo! Tudo que se relaciona com coisas naturais! Sem fins lucrativos. Nosso prazer e ver você informado. Agradecemos sua visita! Volte Sempre!

Inteligentes &Perpicazes

Total de visualizações de página

terça-feira, janeiro 18, 2011

A ALMA e sua origem (na visão da Kabbalah)


Em suas abordagens sobre os mais variados temas, a Kabbalah sempre se refere à alma. Por definição, podemos dizer que a alma é uma energia cósmica que é parte da Luz infinita. Mas de onde vem a alma, qual é o seu início? No mundo físico, o início sempre se dá a partir de uma semente biológica, uma célula que pode ser infinitamente pequena, mas já contém dentro de si uma força de vida, que não é biológica ou física, mas sim espiritual. Portanto, temos que abrir os portões do mundo espiritual se quisermos entender a semente espiritual de nossa existência e receber dela a força vital para renovar nossas forças biológicas e reforçar nossa consciência para vivermos com mais iluminação espiritual e felicidade. Nossa semente espiritual começa no mundo espiritual, de acordo com a Kabbalah, existem dez "Sefirot", dimensões para a realidade. Essas 10 dimensões estão entrelaçadas entre 5 mundos distintos. O primeiro mundo, "Adam Kadmon", Homem Primordial, está relacionado com a Sefirá "Keter". O Homem Primordial não é o homem como conhecemos, em manifestação de corpo, e sim a nossa essência espiritual, a força da vida. Essa essência foi então se desenvolvendo de acordo com os mundos , até que no "Mundo de Briá " (Mundo da Criação, relacionado com a Sefirá "Biná ") foi criado Adão. Este Adão não é Adam Kadmon, não é a mesma consciência de Adam Kadmon, mas tem a lembrança da semente de seu nascimento espiritual que foi Adam Kadmon. Este Adão é o da estória Bíblica de Adão e Eva no Paraíso, que todos já conhecemos. O que a Kabbalah nos ensina é que a Bíblia não é um livro de estórias e sim um código cósmico, uma descrição de um mundo paralelo, espiritual. Adão e Eva eram, na verdade, uma alma só, dividida, não eram pessoas físicas, mas uma inteligência . Quando cometeram o "pecado" no Paraíso , foram então expulsos. A palavra "expulsão" deve ser percebida como "explosão". Depois dessa explosão, cada parte de Adão criou um ser humano, na maneira de nossa alma, criando o processo da vida da humanidade e o aparecimento de todas as gerações. Por isso cada um de nós, nesse nível de consciência, tem uma parte espiritual de Adão, que representa a consciência coletiva de todos os seres humanos.


Autor: Rabino Joseph Saltoun
Imagem: A árvore da Vida
Fonte: http://www.crisboog.com.br/cabala.htm

domingo, janeiro 16, 2011

TARA - A Senhora do Barco


A Deusa Tara é o arquétipo da nossa própria sabedoria interna. Guia-nos e nos protege nas profundidades de nossas mentes inconscientes, ajudando a trazer para o consciente, nossas viagens pessoais rumo à liberdade. É Tara quem atravessa seus adoradores em segurança por sobre o oceano da existência fenomênica. Ela conduz a alma que atravessa a corrente do samsara rumo à distante margem do nirvana. Tara pode incessantemente salvar as criaturas em seu aspecto de "Senhora do Barco", pois o mar inteiro é o brincar cintilante e ondulante de sua shakti (energia feminina). Desta torrente desordenada da vida emergem, em todas as épocas, alguns indivíduos que já estão amadurecidos para salvação, na metáfora de Buda, à semelhança das flores de lótus que se erguem do espelho das águas e abrem suas pétalas à ininterrupta luz celeste.
O barco representa um símbolo de salvação, comum a toda humanidade. Tara, portanto, é a Grande Deusa Bondosa capaz de acalmar a correnteza.
A Tara Verde (na imagem acima) é representada sentada sobre uma flor de lótus emergindo de um lago. Sua cor como seu nome indica que é verde. Sua mão direita faz o "mudra de dar", indicando sua habilidade para dar a todos os seres o que necessitam, enquanto sua mão esquerda colocada em seu coração faz o "mudra de dar refúgio". Em cada mão sustenta o talo de uma flor de lótus com uma flor aberta e dois botões que indicam o alcance de sua atividade no passado, no presente e no futuro.
Veste roupas reais, multicoloridas e uma blusa ornamentada com jóias. Na cabeça há uma tiara com jóias e um rubi ao centro que simboliza a Amitabha, seu pai espiritual da família búdica do lótus. A perna esquerda encolhida sobre o lótus indica sua renúncia as paixões mundanas, a perna direita estendida e saindo da flor, indica sua presteza para acudir e ajudar todos os seres.
No Budismo a cor verde está associada com atividade e realização. A Tara Verde deve ser invocada para remover obstáculos, para proteção e em situações de medo.
.
INVOCAÇÃO:
Para invocar a força da Tara Verde, concentre-se na questão e peça clareza à divindade. Visualize Tara como uma forte luz verde-esmeralda a sua frente, enquanto recita ou canta o mantra:
.
OM TARE TUTTARE TURE SOHA
.
Concentre-se no pedido, visualize a luz verde a sua frente se intensificando e penetrando no topo de sua cabeça. Enquanto ela entra em seu corpo, purifica suas dúvidas e medos. Quando se sentir calmo e seguro, veja a luz verde descer, passando pela garganta até fundir-se com seu coração. Permaneça nesse estado o tempo que puder, cultive o sentimento de confiança de que sua meditação foi realizada com sucesso e seu pedido será atendido ou o problema solucionado. Para finalizar, dedique essa energia a todos os que necessitam da positividade que você acumulou fazendo a meditação.
.
O SIGNIFICADO DO MANTRA:
.
OM: O sagrado corpo, palavra e mente dos Budas.
TARE: Palavra que liberta de apegos e sofrimentos temporais e dos três reinos inferiores.
TUTTARE: Palavra que liberta de apegos e sofrimentos do samsara e dos três reinos inferiores.
TURE: Palavra que liberta dos obscurecimentos sutis, apegos a paz pessoal e do pensamento da felicidade perfeita individual.
SOHA: Possam essas bênçãos chegar ao coração e a mente.
.


Fonte:
Site da Rosane Volpatto
http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusatara.html
obs.: tomei a liberdade de alterar a ordem do texto para facilitar o entendimento.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Para desenvolver a intuição, um conhecimento original


Nos níveis mais profundos da consciência existem respostas para todas as indagações. Saber disso é o primeiro passo para a intuição fluir livremente e trazer-nos essas soluções.

Intuição é a compreensão direta e clara de aspectos da realidade, e decorre do contato entre a consciência externa do indivíduo e seu mundo abstrato. Emerge sem que se lance mão do raciocínio. Independe da atividade mental, que pode até obstaculizá-la. Introduz-se na mente e imprime-se no cérebro no intervalo entre pensamentos. Quanto maior esse intervalo, mais nítida e completa será sua captação.

Para a intuição desenvolver-se, é importante o indivíduo plasmar as ideias de modo claro e coerente e entregá-las com desapego aos próprios núcleos internos. Assim, a energia do amor sabedoria inerente a esses núcleos pode fluir com maior liberdade e permear os corpos externos, advindo daí novo equilíbrio que propicia à intuição revelar-se.

Nesse processo, o fator fé é essencial. Sem a fé na luz existente no âmago do ser, fica-se envolvido em questões psicológicas e intelectuais e restrito a meras teorias.

A intuição é delicada, tênue, não se impõe. Às vezes faz-se presente, mas não chega a ser percebida, ou esvai-se tão logo se tente retê-la. Em geral, não se lhe dá importância por não corresponder a esquemas conhecidos. Todavia, com a prática de se abrir a ela, seu mecanismo desenvolve-se pouco a pouco e prevalece sobre o pensamento automatizado.

A intuição é universal, sintética, considera a realidade presente, única a cada instante, abarca a globalidade das conjunturas envolvidas e coloca cada detalhe no devido lugar. Surge pronta, completa, sem elaborações prévias e sem acarretar dúvida alguma.

O ceticismo, a crítica, o orgulho, o autoritarismo, a dissimulação, a complacência com tendências retrógradas da personalidade, o descontrole no uso da palavra, a convicção, o apego, a curiosidade, a impaciência e a inflexibilidade mental, entre outros fatores, costumam abafar-lhe a voz. Em geral a intuição se faz sentir de maneira mais nítida quando se entra em estados de calma, quietude, silêncio; quando se está vazio e totalmente receptivo. Ela não nasce de um estado emocional ou mental, mas advém de níveis profundos. O primeiro sinal de uma intuição verdadeira é não trazer consigo nenhuma forma de excitação: não provoca alegria, entusiasmo, tristeza, angústia. Vem de maneira clara e sem julgamentos. Às vezes é tão suave que sequer é notada.

O importante é estar imparcial diante das experiências pessoais e de experiências dos outros. Ao se manter essa neutralidade, tem-se clareza sobre o que vem à consciência. É fundamental não confundir intuição com convicção pessoal, que pode até ser positiva, mas se faz de fora para dentro; nasce na mente e se impõe ao ser. É parcial e não substitui a verdade. Estar convencido de alguma coisa não é o mesmo que receber intuição; pelo contrário: uma forte convicção pode ser obstáculo para captá-la.

A tarefa diante do próprio mundo interior, intuitivo, é estarmos receptivos e tranquilos, é sabermos que na essência a solução está pronta, à nossa espera.

"Primeiro desapegai-vos de vossas preferências e expectativas. Em seguida, renunciai a todo e qualquer resultado, reconhecendo a suprema sabedoria que tudo rege. Logo, aquietai-vos e entregai-vos a essa sabedoria. Porém, se realmente entregardes a vós mesmos e o vosso problema, não tenteis tomá-los de volta com o pensamento".

Trigueirinho
http://www.irdin.org.br/


http://horacosmica.blogspot.com/

segunda-feira, janeiro 10, 2011

OS ESPÍRITOS E O ESPIRITISMO


ASSUNTOS HUMANOS
(Entrevista concedida ao repórter Saulo Gomes da TV Tupi, canal 4, de São Paulo, em 6 de maio de 1968, gravada na Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba (MG). Foi ao ar, pela primeira vez, a 14 de maio, e após sua apresentação inicial foi reclamada para exibição em quase todas as capitais de Estado. Nessa reportagem, pela primeira vez no vídeo, o médium psicografou linda página de Emmanuel, intitulada "Auxiliarás por amor".
Transcrita do "Anuário Espírita", 1969.)
1 – OS ESPIRITOS E O ESPIRITISMO
P – Mestre Chico Xavier, como é que os espíritos consideram o Espiritismo? Como uma Ciência experimental ou uma religião?
Resposta do Chico: De início queremos agradecer aos nossos amigos da TV Tupi, canal 4, de São Paulo, na pessoa de nosso caro entrevistador, Saulo Gomes, a atenção que nos dispensa, proporcionando-nos, a alegria da presente visita à nossa Comunhão Espírita Cristã, aqui em Uberaba. Desejamos, também, com a permissão dos amigos, saudar e agradecer a atenção dos amigos telespectadores. Pedimos licença, ainda, para falarmos do entusiasmo com que nosso entrevistador a nós se referiu. Conhecemos nossa total desvalia e sabemos que as palavras do nosso caro Saulo Gomes nascem da sua generosidade, por méritos que não possuímos. Feita essa ressalva, confessamo-nos ante um inquérito afetivo muito sério, que nos chama a grande responsabilidade, pois, entendemos estarmos diante de ouvintes que procuram a verdade. ...Confesso que, antes de me sentar aqui para a entrevista, pedi aos nossos amigos espirituais, especialmente ao nosso Emmanuel, que dirige nossas atividades mediúnicas desde 1931, que me ajudassem, pois, não tenho o dom da palavra, e me amparassem para que eu errasse o menos possível, nas respostas. Conto, assim, com o perdão de todos.
Os nossos amigos espirituais nos afirmam que apesar do Espiritismo englobar experimentações científicas valiosas para a Humanidade, devemos considerá-lo como doutrina que revive a Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, interpretado em sua pureza e em sua simplicidade para os nossos dias. De nossa parte consideramos o Espiritismo como religião, em vista das conseqüências morais que a Doutrina Espírita apresenta para a nossa vida e para o nosso trabalho.


Fonte: Livro Entrevistas F. C. Xavier/ Emmanuel
Fonte da minha pesquisa
http://lucianodudu1974.blogspot.com/

sábado, janeiro 08, 2011

Santo Daime


Santo Daime: mídia deturpa e agride história da única religião genuinamente brasileira
A revista Veja acaba de publicar uma sensacionalista reportagem sobre o assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25. Na reportagem, sem nenhuma base material, a revista acusa o criminoso Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, Cadu, de ter ingerido ayahuasca, levando-o a cometer o crime.

De forma irresponsável e leviana, a revista acusa o uso da ayahuasca como causa do crime e passa a agredir a história dos três líderes que, aqui no Acre, fundaram religiões amazônicas, de raízes indígenas: o mestre Raimundo Irineu Serra, o mestre Daniel Pereira de Matos e mestre Gabriel.

Na tentativa de dar base científica à reportagem, a revista Veja produz um Frankenstein de intolerância religiosa, de desinformação e de preconceito com religiões amazônicas e indígenas. Em nenhum momento cita um estudo científico, com suas fontes e suas provas acadêmicas.

Quando cita a Associação Brasileira de Psiquiatria, não apresenta nenhum especialista, nenhuma fonte demonstrativa ou qualquer prova do que escreve na reportagem. Apenas apresenta a caricatura de um “bacana” com transtorno psíquico, esquizofrênico, que fumava maconha, e que tinha uma mãe e uma tia-avó também esquizofrênicas.

Não apresenta outros casos semelhantes pelo Brasil afora. São mais de 200 centros, entre União do Vegetal e Santo Daime, com mais de 30 mil seguidores. Por que o caso Glauco deveria servir de regra para uma religião que já completou mais de meio século sem um único caso de violência ou morte entre aqueles que a praticam?

Aqui no Acre, entre as igrejas do Alto Santo, Barquinha e União do Vegetal, são milhares de seguidores gozando de elevada qualidade de vida, respeitados socialmente e livres das pragas do alcoolismo e do consumo de drogas.

Aqui no Acre, entre os seguidores do Santo Daime, da UDV e da Barquinha, há juízes e promotores, jornalistas renomados, deputados e prefeitos, médicos e economistas, empresários, professores de universidades, delegados, policiais, membros de academias e de instituições laicas e respeitadas.

Homens e mulheres que estudam, acessam as bibliotecas e estão informados sobre os avanços da ciência, as curvas da economia e da política e as reportagens fantasiosas, levianas, preconceituosas, anticientíficas e mentirosas de Veja.

Milhares de jovens escaparam das grades dos presídios e até da morte porque abraçaram a religião dos entes mágicos da floresta, das ancestrais aldeias indígenas e da fraternidade de viver como irmãos nos dias de louvor, sob a simplicidade de seus hinos e do consumo ritualístico da ayahuasca.

Não há um único caso de agressão física, de violência, de distúrbio ou de morte entre os seguidores da UDV, do Santo Daime ou da Barquinha, em mais de meio século de religião, entre milhares de seguidores.

A revista Veja deturpou tudo: a história e a resistência dos líderes religiosos, o papel espiritual e social que cumpre as igrejas ayahuasqueiras, a origem indígena milenar e a longa tradição de vida saudável de seus membros. A revista Veja só não esqueceu daquilo que está lhe ficando peculiar: escrever com preconceito e leviandade. Veja sequer respeitou a história.

A ayahuasca serviu como base para o estabelecimento de diferentes tradições espirituais por comunidades indígenas nos países amazônicos desde tempos imemoriais. Os povos indígenas utilizaram a ayahuasca como um elo imaterial com o divino que estava entre as árvores, os lagos silenciosos, os igarapés. É que, para eles, a natureza possuía alma e vontade própria.

Povos indígenas do Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador, há quatro mil anos, utilizam a ayahuasca em seus rituais sagrados, como o padre usa o vinho sacramental na Eucaristia e os indígenas bebem o peyote nas cerimônias sincréticas da Igreja Nativa Americana.

O uso ritualístico da ayahuasca é bem mais antigo que o consumo do saquê ou Ki, bebida sagrada do Xintoísmo, usada a partir de 300 a.C, feito do arroz e fermentado pela saliva feminina, sendo cuspida pelas jovens virgens em tachos.

As origens do uso da ayahuasca nos países amazônicos remontam à Pré-história. Há evidências arqueológicas através de potes e desenhos que nos levam a afirmar que o uso da ayahuasca ocorra desde 2 mil a.C.

A utilização da ayahuasca pelo homem branco é uma acolhida da espiritualidade das florestas tropicais, um banho de rio milenar e sentimental do tempo em que os povos amazônicos viviam em fraternidade econômica e religiosa.

Os ataques ao uso ritualístico-religioso da ayahuasca, como bebida sacramental, nos autoriza a afirmar que podem estar nascendo interesses menos inocentes e mais poderosos do que uma simples preocupação acadêmica com a utilização de substâncias psicoativas.

Nunca é bom esquecer que a ayahuasca é uma substância natural exclusiva das florestas tropicais dos países amazônicos e pode alimentar interesses econômicos relacionados a patentes e elevar a cobiça sobre a nossa inestimável biodiversidade.

Não custa nada ficar alerta para essa esquizofrenia da grande mídia em atacar o uso ritualístico-religioso da ayahuasca. É mais fácil roubar um pão numa padaria do que uma hóstia no altar, mesmo que os dois sejam feitos do mesmo trigo. Por que tanto interesse em dessacralizar o uso da ayahuasca?

A ayahuasca é uma combinação química simples e ao mesmo tempo complexa, que envolve um cipó e um arbusto endêmicos do imenso continente amazônico. Simples porque a sua primitiva química material da floresta é realizada por homens comuns, do pajé ao ayahuasqueiro dos templos amazônicos.

Complexa porque envolve a elevação de indicadores psico-sociais de qualidade de vida e ajuda a atingir estados ampliados de consciência dos usuários. Isso por si só já alça a ayahuasca a um patamar superior no plano do controle científico dessas duas ervas milenares.

Assim, a ayahuasca ganha contornos políticos por envolver recursos florísticos de inestimável valor psico-social e espiritual. Os seus usuários consideram o “vinho das almas” como um instrumento físico-espiritual que favorece a limpeza interior, a introspecção, o autoconhecimento e a meditação.

Utilizar ayahuasca aqui na Amazônia é beber do próprio poço de nossa ancestralidade e da magia que representa a nossa milenar resistência. Aqui na floresta, protegidos pelos entes fortes de nossa religião animista e natural, nossos ancestrais não precisaram “miscigenar” sua fé.

Não foi necessário fazer como os negros escravos, que deram nomes de santos católicos aos seus deuses africanos. Nossos ancestrais indígenas não precisaram batizar Iemanjá de Nossa Senhora ou Oxossi de São Sebastião para se protegerem da fé unilateral do dono da terra e das almas.

É que entre nós a terra era de todos e o único dono era o senhor da chuva, do orvalho e do sol. A beleza coletiva dos recursos naturais era compartilhada por toda a aldeia, do curumim ao sábio ancião.

A ayahuasca era a essência espiritual dessa convivência material fraterna e universal entre as árvores carinhosas, os riachos irmãos, os pássaros cantores, os peixes, as larvas, os insetos, as flores. A ayahuasca ancestral era o elo entre a terra e o espírito.

Se não fosse uma erva espiritual e mágica, trazida pelas mãos milenares dos povos indígenas amazônicos, ela não teria resistido ao tempo. Por isso é natural que a ayahuasca atraia cada vez mais o homem branco, esmagado pelo destrutivo modo de vida urbano, elitista, ocidental, capitalista.

A ayahuasca não é um chá que se consome como se bebe um líquido ácido qualquer. O seu uso é espiritual e envolve aqueles que o utilizam na mais límpida tradição de amar o próximo e reencontrar os valores que perdemos na caminhada do planeta que se dividiu em castas, cores, fronteiras e etnias.

Não entrarei no debate acadêmico sobre o uso de substâncias psicoativas por parte das religiões milenares, das eras pré-colombianas aos templos dos tempos atuais. Não tenho competência para debater os pontos de vista da medicina, da psicologia ou da etnofarmacologia. Ficarei apenas com os resultados do uso milenar da ayahuasca pelos povos indígenas.

A milenar história amazônica não registra casos de morte ou de seqüelas à saúde dos povos indígena por terem utilizado a ayahuasca. Nenhum índio, nesses séculos de consumo da ayahuasca, deu entrada no hospital dos brancos ou foi curado pelos pajés.

A ayahuasca não é “taliban”, seus usuários não constituem nenhuma seita, eles não são fanáticos, não há um único caso de morte ou de castigo físico que tenha sido resultado do seu consumo ritualístico.

O uso ritualístico da ayahuasca não provoca transes místicos ou de possessão. Ela não age no organismo como a antiga bebida hindu, denominada soma, que se divinizou por afastar o sofrimento, embriagando e elevando as forças vitais.

Depois de 4 mil anos de uso sagrado e ritualístico da ayahuasca, os estudiosos da civilização ocidental erguem argumentos anêmicos e endêmicos de uma sociedade que tem medo do “contato” aberto do homem com a natureza. É que eles têm medo da relação amorosa entre o indivíduo e a natureza com os seus elementos poderosos e coletivos.

Os sábios e avançados incas utilizaram a ayahuasca para consolidar-se como povo, como nação e para ajudar no florescimento da cultura, da matemática, da agricultura e da astronomia. Não é qualquer planta ou cipó que faz um povo, uma história milenar, uma religião.

Só não puderam utilizar a sagrada ayahuasca para produzir metálicos fuzis, pois se assim fosse, não teriam sido dizimados pelos invasores espanhóis. Pizarro não consumiu o “cipó dos mortos”, por isso dizimou tantos guerreiros, mulheres índias, donzelas, pajés, curumins.

A ayahuasca resistiu, venceu os invasores e as suas crenças unilaterais, atravessou os séculos, os milênios, unificou as milenares gerações indígenas e suavizou a dor “civilizaria” das eras pós-colombianas.

A ayahuasca é a religião da terra para o céu, da matéria eterna e natural para o infinito do sonho humano, a religião natural. Uma verdadeira e única religião do Brasil, aliás, uma colossal e genuína religião amazônica e indígena.

Encerro esse ensaio com um relato da experiência física de quem fez uso ritualístico-religioso da ayahuasca:

Lembro de tudo nitidamente. Eu via seres de luz carregando lixo da floresta para dentro de uma caminhonete. Muitos seres e muito lixo. Então perguntei para um deles:

- O que é isso?

Um dos seres me respondeu:

- São as suas máscaras, você não pode ver ainda.

Moisés Diniz é autor do livro O Santo de Deus e deputado estadual pelo PCdoB do Acre. Clique aqui e leia os manifestos (de março de 2006) sobre ayahuasca, de autoria do Centro Iluminação Cristã Luz Universal - Alto Santo e do Centro Espírita e Culto de Oração Casa de Jesus Fonte de Luz, os mais tradicionais do Acre.

Foto: Altino Machado

POR MOISÉS DINIZ


http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br

Reflexão

Estou aprendendo que a maioria das pessoas não gostam de ver um sorriso nos lábios do próximo.Não suportam saber que outros são felizes... E eles não! (Mary Cely)