Herbário Póetico

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domingo, setembro 19, 2010

Karma e Casualidade.



Figura 1: Linearidade no encademento de causas e efeitos




Além desse encadeamento de ações tipicamente cartesianas, observa-se ainda uma tendência newtoniana ao se referir à "lei do karma" coma uma lei de "ação e reação" nos moldes da física mecânica de Isaac Newton. Observa-se que a linearidade e o mecanicismo dessa forma de compreensão do karma tendem a submeter o ser humano a um determinismo que se contrapõe ao princípio de livre-arbítrio da espiritualidade. Em conseqüência desse mecanismo tão preciso e determinista somos transformados em presas do destino.

Também a idéia de causalidade de Hume parece estar internalizada nessa doutrina de karma como "a lei de causa e efeito". Os eventos seguem um curso cronológico e é a disposição entre antecedente e consequente que estabelece o nexo causal de necessidade. Notamos o peso desses conceitos na forma como muitos tratam dos problemas experimentados na prática por aqueles que buscam auxílio espiritual. Seguindo essa tendência de causalidade, qualquer infortúnio presente deve ser explicado por uma má-ação do passado. De modo semelhante à "teoria do trauma" de Sigmund Freud, muitos espiritualistas procuram a causa dos problemas presentes em algum evento traumático ou catastrófico do passado, seja nessa ou em outras vidas. As terapias das vidas e vivências passadas adotam essa postura. Assim como os psicanalistas freudianos não procuram mais um único trauma no passado para explicar a neurose presente de seus pacientes, também não devemos encarar o karma desse modo linear.

Por fim, outro cientista enaltecido por determinados círculos espiritualistas foi Charles Darwin cuja teoria da evolução das espécies serviu de inspiração para a interpretação do karma como uma lei evolucionista. Contudo, é necessário perceber que na teoria darwinista não existe um propósito pré-estabelecido para as espécies. Um dinossauro não surgiu no planeta com o intuito de depois dar surgimento a uma galinha. O que acontece é que pela seleção natural, sobrevivem os mais adaptados ao meio e, a não ser que o meio seja manipulado para levar uma espécie a se desenvolver em outra(algo difícil de conceber), não temos aqui a evolução do mesmo modo que aquela entendida pela espiritualidade. Além disso, a sobrevivência do mais adaptado não significa a do melhor, mas simplesmente daquele que está mais em sintonia com o meio. Caso mantivéssemos essa posição, o que esperaríamos do mundo diante de tanta corrupção e do capitalismo desenfreado?

Aprofundando a causalidade

Como a teleologia umbandista certifica a existência de um propósito para o universo e esse propósito ou finalidade está ligado à evolução, não abandonamos a causalidade mas precisamos entender melhor o processo.

Em primeiro lugar, ao invés de pensar que uma única causa é a responsável por gerar um único efeito como de a para b na figura 1, pensemos que várias causas colaboram para o surgimento de um determinado efeito. Vejamos a figura 2.

Figura 2: várias causas se agrupam para gerar um efeito.







Passamos então de uma situação de uma única causa para várias causas que são suficientes para um determinado efeito. Desse modo, não procuramos mais um trauma no passado ou o reconhecimento de uma certa má-ação como a responsável pelos problemas que enfrentamos agora. A questão é mais complexa que isso.

Em segundo lugar, ao invés de entender nossa ação presente b como se encaminhando, indefectivelmente, para um certo ponto c, podemos entender que qualquer ação nossa pode gerar por contingência uma série de outras situações.


Figura 3: Um estado presente pode gerar várias possibilidades futuras







Se nós somos o indivíduo no estado presente b, isso significa que recebemos várias influências simultâneas para chegar aqui e temos não um caminho predeterminado a seguir, mas um leque de possibilidades que se abrem à nossa frente. Nosso livre arbítrio consiste em poder escolher entre as várias possibilidades.

Podemos ir ainda mais adiante e passar a um esquema mais complexo em que os pontos se relacionam não de modo linear, mas dentro de uma rede que se conecta com várias outras redes, formando um ambiente tridimensional no qual as causas e efeitos se relacionam subvertendo o tempo.

Figura 4: Karma tridimensional









Por esse modelo de karma, nossos estados presentes se relacionam com estado passados e futuros de modo complexo. Quando alguma coisa abala um único ponto do sistema, todo o sistema se modifica e se reconfigura. Nesse sistema existe uma interdependência entre tudo e entre todos, seja no nível do universo, da humanidade ou dos pensamentos e emoções que carregamos dentro de nós.

Conforme o tempo decorre, não passamos mais de um estado singular a outro, mas apenas mudamos a configuração do sistema. E se pensarmos em termos de relatividade, veremos que todas as configurações que indicariam a passagem do tempo já existem como possibilidade.


Aplicando na prática


É possível já perceber que podemos nos libertar da idéia de karma como prêmio e castigo, do entendimento de mal como algo que exista por si só. Também as idéias de causalidade e linearidade foram confrontadas e a perspectiva de karma como um sistema complexo onde ocorrem múltiplas interações parece fazer mais jus à realidade que vivemos no dia-a-dia, na qual tudo faz parte de um contexto maior.

Outra noção que pudemos rever é a de que o karma é uma lei de "ação e reação". Na verdade, a palavra karma vem do sânscrito e significa "ação". Portanto, o karma é ativo e não reativo. Nossa atividade não gera uma reação no mundo espiritual, nem nós mesmos podemos viver reagindo ao que nos acontece. O karma não deve nos cobrar o passado, mas nos projetar para o futuro.

Por fim, lembrando que a cada momento não somos pré-determinados, mas estamos diante de um leque de possibilidades, podemos agir para tornar realidade uma dessas possibilidades. Considerando que não temos domínio sobre todo os sistema, pode ser que escolhamos uma via e venhamos a causar sofrimento para nós mesmos ou para os outros. Mas tal situação não deve nos causar pânico. Ao contrário, se tivermos consciência do que queremos a longo prazo, qual seja a espiritualidade superior, seremos capazes de transformar todos os estados intermediários pelos quais passarmos, felizes ou infelizes, em caminho para o nosso objetivo final. Se estamos dentro de uma rede tridimensional, são vários os caminhos possíveis desde que saibamos para onde queremos ir.

Texto e Imagem do Blog:
http://blog.ftu.edu.br/search/label/karma

sexta-feira, setembro 17, 2010

Karma e causalidade


Karma e causalidade
Por Roger Taussig Soares (professor da FTU – Faculdade de Teologia Umbandista)

A idéia de "karma" está presente em virtualmente todas as escolas umbandistas e se relaciona com a doutrina da reencarnação e com as regras que definem o processo de evolução espiritual. Como é de se esperar, diante da diversidade intrínseca ao movimento umbandista encontramos também uma variedade de acepções relacionadas à questão do karma. Tentaremos nas próximas linhas discutir essas interpretações, localizar as influências de outras doutrinas e propor, ao final, uma visão mais concernente com as teorias científicas e filosóficas mais atuais.

Karma como prêmio e castigo

Uma das formas mais difundidas de compreensão do karma está ligada à idéia de que teríamos uma história espiritual na qual se registrariam todas as nossas ações. Caso realizemos boas ações, elas reverterão em prêmios, como uma vida próspera e feliz. Por outro lado, quando agimos de modo negativo, precipitamos sobre nós a execução da lei divina que se manifesta em variadas formas de castigos. Muitas religiões, reencarnacionistas ou não, aderem a esse conceito e ainda acrescentam a possibilidade de barganha com o Sagrado na expectativa de atrair seus favores, por meio de promessas, penitências ou pela simples resignação diante do infortúnio. A influência católica é claramente perceptível nessa situação.

É possível esmiuçar essa visão se a levarmos ao ponto do entendimento sobre o que são o Bem e o Mal. Podemos entender esses pequenos prêmios e castigos do karma como instâncias menores, ou seja, minúsculos bens e males, de um grande Bem e um grande Mal, ambos finais, eternos e traduzidos na teologia cristã na forma do Paraíso e do Inferno. Ainda que a teologia cristã não seja totalmente maniqueísta porque não ensina que o Bem e o Mal sejam princípios primordiais, eternos e coexistentes, mas aponte para uma origem do Mal na queda dos anjos, podemos entender que acaba por atribuir um caráter ontológico de realidade do Mal quando ele persiste indefinidamente na forma de danação eterna, após o Juízo Final. Cabe então questionar aos umbandistas se acreditam em um Bem eterno e um Mal igualmente eterno e se o karma acaba por ser a luta entre esses dois opostos que estariam dentro ou fora de nós.

Uma visão diferente é a de que o Mal não existe por si mesmo, mas corresponde a uma falta, uma ausência do Bem. Segundo essa percepção, o mal é a ignorância decorrente do distanciamento da realidade espiritual sempre-existente. Para os sufis, o mal começa com a ilusão da existência de um eu (nafs) e com a percepção distorcida de que a ausência de Deus é possível. Como correção desse distúrbio, o sufismo ensina seus seguidores a encontrarem a Deus na Sua presença e na Sua ausência.

Nota-se que por essa visão o Mal teve origem com o surgimento da ignorância e terá, necessariamente, um fim com a realização da espiritualização plena. Também o mal estaria mais diretamente ligado ou inerente à existência da matéria que se caracteriza pela transitoriedade e pela impermanência. Tudo que é material tem começo e tem fim, como o mal está ligado à perda da consciência espiritual decorrente do mergulho do espírito na matéria, uma vez que recuperarmos a plena consciência da Realidade-Una, ao mesmo tempo transcendente e imanente, será desfeita a ilusão do mal.

Tal visão negativa da existência do Mal se completa com a percepção da relatividade dos conceitos de Bem e de Mal. Várias doutrinas demonstram a relatividade dos juízos de valores que fazemos e que nos utilizamos para conhecer o mundo. Como exemplo, percebemos que só existe o escuro porque existe o claro e vice-versa, por serem conceitos interdependentes. Da mesma maneira, só existe o Bem porque existe Mal. Além disso, a interpretação do que seja bom ou ruim varia entre as pessoas e ainda na mesma pessoa ao longo do tempo.

Diante desse relativismo, podemos concluir que se a evolução aponta para um caminho cada vez mais pleno de espiritualidade e do Bem, em um dado momento o Mal diminuirá tanto que se extinguirá. Quando isso acontecer, também se extinguirá o Bem pois não haverá mais termo de comparação. Essa filosofia está incluída em algumas visões da teleologia umbandista que associam o fim do processo evolutivo ao retorno para o estado da pura consciência espiritual cósmica, ou Reino Virginal. Nessa situação, não será mais necessário o mundo material para a evolução que já terá atingido seu propósito e, portanto, o final da escada evolutiva coincidirá com o fim do universo.

Descartes, Hume, Darwin e karma

O espiritualismo e ocultismo europeus, em linhas gerais, receberam ou importaram várias noções orientais e as adaptaram às suas doutrinas. No processo de tradução verificamos as influências da cultura européia na apropriação de conceitos. Entre elas, destacamos as idéias de linearidade, de causalidade e de evolução.

O pensamento europeu foi bastante determinado pelas luzes do Esclarecimento ou Iluminismo que apostavam na razão como meio para superação dos conflitos humanos e como meta do processo evolutivo. Na expectativa de tornar a espiritualidade mais "científica", observou-se especialmente por parte do espiritismo kardecista, uma valorização do pensamento racionalista cartesiano e das doutrinas de Darwin e Hume como forma de explicar a evolução dos espíritos.

A introjeção desses paradigmas filosóficos-científicos, foi realizada com o intuito de dar maior credibilidade para essas religiões nascentes. Elas seriam respeitáveis porque não seriam apenas religiões, mas também filosofia e ciência. Em contrapartida, aquelas práticas religiosas que davam espaço para a espontaneidade e para a emoção, como as religiões de transe tipicamente africanas e indígenas, seriam consideradas( como o foram no Brasil) formas de baixo espiritismo.

O cartesianismo apresenta-se na doutrina do karma quando se pensa nesse processo utilizando o pensamento de linearidade. Nessa perspectiva, o karma é como um fio ou uma cadeia de eventos que se sucedem uma após o outro, de modo que tudo o que acontece pode ser explicado karmicamente como decorrente de uma ação pregressa nessa vida ou em outras.

Fonte do Texto
http://blog.ftu.edu.br/search/label/karma
Imagem do google

Por uma ética umbandista


A profusão de valores que convivem de modo caótico na sociedade pós-moderna favorece o dinamismo dialético das relações sociais, mas parece gerar também uma carência de referenciais percebida em várias instâncias da vida cotidiana. A multiplicidade de pensamentos se evidencia no âmbito da cultura, da religião, das ideologias, da sexualidade, das artes e por aí em diante. Se, de um lado, devemos valorizar a riqueza que a diversidade produz ao incentivar olhares diferentes sobre os mesmos temas, ampliando sua compreensão; de outro lado, também devemos ter a consciência de que certas questões não deveriam ser tratadas do mesmo modo e a preservação de princípios absolutos, como a igualdade perante a lei, precisa ser garantida para o próprio exercício da pluralidade. Quando se confundem os campos onde deve existir tolerância com aqueles onde se deve cobrar rigor, o resultado é a perda da ética e o atropelamento das liberdades.
Tomando como exemplo a política, verificamos que sua teia é tão complexa e os jogos de poder tão emaranhados que se tornou senso comum pensar que caso surgisse um político ou governante integralmente honesto, ele(ou ela) deveria ceder às pressões e entrar no esquema para não ser expelido pela máquina. Em nome da "governabilidade" acordos espúrios, alianças nebulosas e omissões convenientes são tolerados pelos eleitores na esperança de que, por vias tortuosas, seus representantes alcancem os propósitos anunciados como promessas durante as campanhas. Mas como diz a sabedoria sertaneja, "se atalho fosse bom, não existiria a volta".

No âmbito público são necessários clareza e transparência. Não podemos assumir a atitude de desilusão, achando que não há como mudar. Tampouco devemos sucumbir ao aparentemente irresistível apelo da banalização que torna o próximo crime apenas mais um, em uma sequência interminável.

Ao contrário, podemos lançar mão daquilo que temos como riqueza, que é o nosso olhar que se forma desde a posição da diversidade e da minoria típicas do movimento umbandista, para fazer emergir o monstro da lagoa e podermos enxergá-lo em sua nudez.

Digo isso porque na passagem das gerações, certos valores que se foram construindo ao longo dos séculos, mas que não existiam absolutamente por si só, são tomados como algo natural, auto-sustentados desde sempre. Os pressupostos da democracia como a melhor forma de governo, ou do espírito capitalista e do liberalismo como sistemas de oportunidades para todos merecem a crítica e a reflexão renovado pelo olhar dos que representam a outra ponta da corda. Não fazemos isso e nos quedamos com a sensação ilusória de indissolubilidade de um sistema que, a exemplo da crise econômica dos subprimes norteamericanos, pode ruir a qualquer momento por si próprio. Se tal sistema é capaz de desmoronar pelas próprias inconsistências internas, que dirá pela ação esclarecedora da espiritualidade munida da razão?

Antes da reforma protestante, vivia-se o ideal ascético de pobreza oriundo do catolicismo que impunha uma visão salvacionista aos seus fiéis para justificar a resignação que deles se esperava, enquanto alguns poucos(aristocratas e a própria Igreja) acumulavam os bens materiais.

Com o surgimento da dissidência cristã promovida inicialmente por Lutero e por Calvino, uma nova mentalidade teria se desenvolvido servindo de suporte, como diria Weber, para o nascimento do espírito do capitalismo. Nessa nova versão do contato com os preceitos crísticos, a graça dos eleitos por Deus se manifestava na riqueza material que serviria para glorificar e melhor servir à obra divina. Os trabalhadores, assim como os patrões, de origem protestante, aderiam a regras de conduta rígida, para alguns também ascética, que serviam de suporte para os laços de confiança social e de garantia na realização de negócios entre irmãos de fé. Segundo Max Weber, o espírito do capitalismo surge mesmo em decorrência da mentalidade nutrida pela fé protestante.

Chegamos então à questão crucial(sem trocadilhos) que nos leva a fustigar o monstro sob as águas. Se o capitalismo teve início há tão pouco tempo, não terá também um fim? Qual seria a nova forma de governo, o novo sistema político e econômico que poderia suplantar o capitalismo e a democracia em suas vantagens, sem os desvios do comunismo? Qual o papel de nós, umbandistas, na elaboração dessa nova ética capaz de reconfigurar os laços sociais? Teremos o poder de, assim como os protestantes supostamente o fizeram, criar um espírito que predisponha ao surgimento de uma nova ordem social?

Lançando mão do distanciamento que nos permite o fato de sermos umbandistas, podemos enxergar na posição dos católicos medievais e dos protestantes modernos o mesmo pressuposto subjacente: o direito à propriedade. Enquanto os católicos afirmavam a propriedade por meio da negação desse direito como oferenda em sacrifício, os protestantes afirmavam também a propriedade como forma de enaltecer as bençãos dos céus.

Pela nossa visão, não se trata nem de afirmar, nem de negar a propriedade(reafirmando-a), mas de perguntar primeiro se ela é possível. Se somos seres espirituais, por definição imateriais, adimensionais e atemporais, como podemos ter posse de algo se nossa própria manifestação corpórea não é constante? Se fomos criados ou se apenas originados de uma mesma essência ou realidade absoluta, não deveríamos combater as desigualdades por terem sido introduzidas artificialmente pela ignorância humana e não pela vontade divina?

Na participação política e social dos umbandistas, devemos fazer mais do que simplesmente nos ajustar às conformações do sistema que já impera para encontrar nosso lugar ao sol. Devemos, sim, desafiar consistentemente as próprias bases mentais cármicas que nos conduziram ao estado atual das coisas e estabelecer as fundações para uma nova forma de vida. Não sabemos ainda qual será, mas temos a certeza que dela seremos protagonistas e não simples coadjuvantes como a história nos tem figurado até hoje.





Fonte do texto e Imagem do blog Citado

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quinta-feira, setembro 16, 2010

Os Perigos da Mediunidade


PARABÉNS PELO TEXTO Jorge Menezes esse é o verdadeiro caminho, a Umbanda é a União de todos os Umbandistas com Caridade, Humildade, Amor e lealdade!






OS PERIGOS DA MEDIUNIDADE
Os perigos e conseqüências da mediunidade mal orientada.A falta de doutrina e de comprometimento que existe, em muitas casas espiritualistas, coloca em risco a saúde física e psicológica dos médiuns. Para se ter idéia, há casas que iniciam qualquer pessoa que tenha vontade em trabalhos de desenvolvimento mediúnico de incorporação. E as pessoas que começam a frequentar os trabalhos, por não terem a menor noção do que é certo ou errado, se submetem. Na verdade, existem casos em que a mediunidade de incorporação nunca vai se manifestar porque o médium deverá desenvolver outras formas de mediunidade. Consequentemente, tentando fazer incorporar quem não deve, surgem atrapalhações de toda ordem.A mediunidade deve ser desenvolvida de forma progressiva e individualizada, e o bom desenvolvimento do corpo mediúnico depende muito da firmeza e da competência do chefe encarnado do grupo e do espírito dirigente dos trabalhos. Na Terra, a esfera material das diversas formas de religião é conduzida pelos encarnados, o que inclui a organização das casas, a orientação das pessoas e até a redação dos textos que explicam os fenômenos espirituais. É justamente por se tratar de "coisa de humanos" que a religião muitas vezes é deturpada. Se os espíritos de luz pudessem atuar sozinhos, várias situações inoportunas deixariam de acontecer. Mas os trabalhos religiosos na Terra precisam da união do plano físico e do espiritual. Sem o fluido animal dos médiuns, não é possível para os espíritos atuar em nosso nível vibratório. Daí a grande importância dos médiuns e também da assistência nos trabalhos religiosos. Quando um dirigente religioso, independente da linha em que trabalhe, se deixa envolver pelo ego, passa a acreditar que é dono-da-verdade e, o que é ainda pior, que é dono das pessoas Sua mente se fecha para as orientações do plano espiritual que deveriam orientar sua conduta, porque sua vontade passa a ser mais importante. Quando o chefe dos trabalhos "se perde", os espíritos não compactuam com os erros cometidos, mas respeitam o livre-arbítrio de todos. Ficam à parte, aguardando que a situação se modifique para novamente poderem trabalhar com seus médiuns. As pessoas não ficam desamparadas, mas os espíritos não compactuam com o ego.Há trabalhos que, irresponsavelmente, surgem em função da vontade que têm algumas pessoas de dirigirem grupos. Se uma pessoa resolve iniciar uma sessão, a responsabilidade é dela. Os seus protetores não vão puni-la por isso, mas toda a carga que surge em função dos trabalhos vai ser também responsabilidade dela. Surgem, em função disso, muitas complicações, para quem dirige e para quem é dirigido. Portanto, não bastando atrapalhar a si mesmo, o chefe deverá arcar com as consequências do que provoca para o corpo mediúnico de sua casa. O mesmo vale para quem decide que vai prestar "atendimentos espirituais" ou outros tipos de "trabalho" relacionados, sem as devidas proteções que só uma casa, com os devidos calços, pode ter. Toda aplicação do dom mediúnico deve estar sobre a proteção de uma corrente espiritual e de uma chefia realmente capacitada. Infelizmente, em muitas casas sem boa direção espiritual, exerce-se o hábito de desenvolver a mediunidade em pessoas obsediadas, causando-lhes desequilíbrios ainda piores do que a própria obsessão. São pessoas que, estando claramente doentes, são levadas a abrirem seus canais de mediunidade, irresponsavelmente, a fim de supostamente se curarem. A pessoa perturbada chega nos trabalhos e é aconselhada a desenvolver... porque tem mediunidade. Deveria procurar entender o que acontece consigo, através da doutrina, e não sair procurando um lugar para "desenvolver" Situações como essa, ocorrem devido ao pouco conhecimento doutrinário dos dirigentes das casas e até dos médiuns que dão consultas, acreditando que estão falando pelos espíritos. A mediunidade perturbada pela obsessão não merece incentivo.No aspecto patológico, existem aqueles que, por desequilíbrios neurológicos, se comportam como vítimas de processos obsessivos. Nestes casos, também é inoportuno o desenvolvimento das faculdades mediúnicas. Mentores espirituais de casas honestas cuidam de tratar desses processos obsessivos até que os fenômenos cessem, e o enfermo, curado, possa retomar suas atividades normais e, quem sabe, desenvolver sua mediunidade.Tudo está muito bem, se o médium está preparado, saudável e consciente de que desenvolver a mediunidade é o que realmente deseja e de que realmente precisa. Por outro lado, se a pessoa está desequilibrada, doente, desenvolvendo algo que nem sabe exatamente o que é, possuir um canal aberto será algo muito perigoso. Em ambos os casos, haverá a possibilidade da comunicação com o mundo dos espíritos, e um médium despreparado não vai saber identificar, nem filtrar, mensagens boas de mensagens oriundas de espíritos obsessores. Por isso, desenvolver a mediunidade em quem não está preparado permite que as obsessões se manifestam pelo canal mediúnico que foi aberto, ocasionando demências em diferentes graus. A mediunidade não é causadora da enfermidade ou da loucura. É o seu desenvolvimento indevido que permite que um espírito obsessor dela se utilize para instalar, na mente de sua vítima, a enfermidade mental. Pensar na mediunidade como causa desses distúrbios seria o mesmo que culpar a porta de uma casa pela entrada do ladrão. A porta foi somente o meio ou a via de acesso utilizada para a realização do furto, por negligência e desatenção do dono da casa. Precisamos também conhecer a fadiga mediúnica. O exercício da mediunidade provoca perda de fluidos vitais do corpo do médium e tende a esgotar os seus campos energéticos. Por isso os dirigentes capacitados dedicam especial atenção e cuidado para com os médiuns iniciantes. É comum encontrar médiuns desequilibrados, atuando em grupos espiritualistas, onde incluem-se até mesmo os brandos trabalhos de mesa kardecistas. Em alguns casos, o descontrole psíquico pode levar o indivíduo à loucura, principalmente no caso das pessoas predispostas ao desequilíbrio. Convém que o dirigente espiritual esteja atento à conduta dos médiuns, para perceber indícios de anormalidade. Mediunidade é uma atividade psíquica séria, e a ela só devem se dedicar pessoas que se disponham a ter conduta religiosa, ou seja, uma moral sadia e hábitos disciplinados. A prática da mediunidade em obsediados é capaz de produzir a loucura. A irresponsabilidade e incompetência de dirigentes nos critérios de admissão e instrução de seus trabalhadores pode culminar em demência. Basta imaginar a situação em que uma pessoa obsediada é submetida a entidades hipócritas. É fácil imaginar que se estabelecerá um processo de fascinação que pode culminar em demência. Lembremos que a humildade, a dedicação, a paciência e a renúncia são os caminhos do crescimento mediúnico. O orgulho e os maus espíritos são seus obstáculos.A mediunidade, assim como todos os dons, possui dois lados. Se, por um lado, é fonte de abençoadas alegrias; por outro, pode ser também de profundas decepções. Mas isso nunca deve ser motivo para que alguém desista de desenvolver a sua mediunidade, de cumprir a sua missão, pois ela é simples e gratificante na vida das pessoas que a abraçam como missão de serviço nas legiões do Grande Pai Oxalá.

Por Jorge Menezes
http://cazuadeumbanda.blogspot.com/2010/02/os-orixas.html

terça-feira, setembro 14, 2010

A culpa


A culpa é um dos problemas psicológicos mais difíceis de tratar, pois éinternalizada em nossa cultura como uma virtude. Algumas pessoas estãosempre em débito com os outros e consigo mesmas.
Tornam-se tristes peloserros cometidos e, muitas vezes, entram em depressão por algo que fizeram oudeixaram de fazer. É assim que se perde a inteireza da vida.

É triste ver que a maioria das pessoas não está na vida para desabrochar oseu potencial, mas para cumprir uma imagem idealizada de como deveriam ser.Não podem transgredir as regras impostas pela sociedade e, quando issoacontece, são atormentadas pela culpa.

O problema é que grande parte daspessoas ignora que o erro faz parte da vida, já que somos incompletos.Sempre erramos e sempre erraremos. Muitos dos avanços do mundo e da evoluçãoda humanidade se deram a partir do erro. Algumas vezes é preciso tropeçarpara aprender o caminho certo, pois a nossa transformação vem da consciênciado erro.

O erro é nosso mestre, é o que nos faz crescer. Se aprendermos comele, nos abrimos para novas oportunidades na vida. Já a culpa paralisa,amordaça. Se julgarmos o tempo todo, a vida é desprezada em sua totalidade. Não há espaço para crescimento.Sempre que saímos de um padrão estabelecido por nossos pais, nossa cultura,nos sentimos culpados. A culpa é uma dependência infantil. É a voz de alguémdentro de nós que nos acusa quando saímos de algum padrão. Embora nãosaibamos, esta voz foi internalizada quando criança.

É a voz do pai, da mãe, da professora, do padre etc. E quem sente muita culpa gosta de culpar asoutras pessoas. E as relações se deterioram pela tentativa de produzir culpano outro. É por isso que as pessoas se justificam tanto.Abrir mão da culpa é abrir mão do controle que queremos exercer sobre ooutro. É abrir espaço para o amor, pois a culpa é a inimiga dosrelacionamentos. É a forma de ficar preso ao passado. É viver de costas paraa vida. As pessoas deprimidas são cheias de culpa. Estão na vida para nãoerrar e não para viver.


Fonte do texto e Imagem
Antônio Roberto
http://amigosdofreud.blogspot.com/

Reflexão

Estou aprendendo que a maioria das pessoas não gostam de ver um sorriso nos lábios do próximo.Não suportam saber que outros são felizes... E eles não! (Mary Cely)